Medo! 10 clássicos do horror do século XIX

É possível traçar as origens da literatura de horror até gregos e romanos. De Eurípedes a Plutarco, o estilo se desenvolveu apostando no sobrenatural, mas também englobando aspectos de outros gêneros, como a ficção científica. O horror gótico do final do século XVIII ganharia popularidade no século seguinte. A partir desse momento, o horror estaria para sempre inserido na vida dos leitores, alcançando enorme sucesso em figuras como Stephen King, entre outros.

No entanto, sem os escritores do século XIX para estabelecer as diretrizes do gênero, nada disso seria possível. Por isso, resolvemos criar essa lista com 10 clássicos do horror do período entre 1801 e 1900.

Drácula, de Bram Stoker

medo1      medo1.1

A obra atemporal de Bram Stoker narra, por meio de fragmentos de cartas, diários e notícias de jornal, a história de humanos lutando para sobreviver às investidas do vampiro Drácula. O grupo formado por Jonathan Harker, Mina Harker, dr. Van Helsing e dr. Seward tenta impedir que a vil criatura se alimente de sangue humano na Londres da época vitoriana, no final do século XIX. Um clássico absoluto do terror, Bram Stoker define em Drácula a forma como nós entendemos e pensamos os vampiros atualmente. Mais que isso, ele traz esse monstro para o centro do palco da cultura pop do nosso século e eterniza o vilão de modos refinados e comportamento sanguinário.

Uma obra tão grandiosa quanto essa será publicada em duas versões, para nenhum vampiro colocar defeito: First Edition, com a icônica capa amarela da primeira publicação, em 1897, uma edição inédita no mercado brasileiro que eterniza o brilho e o encanto do sol, algo inalcançável diante de toda a dor da eternidade; e a Dark Edition, dedicada aos leitores trevosos de coração sombrio.

Para fazer os pelos dos leitores se arrepiarem, Marcia Heloisa assina a tradução e introdução de Drácula. E como sangue tem poder, o descendente direto do autor, Dacre Stoker, escreve a preciosa apresentação desta edição. Carlos Primati e Marcia Heloisa dão suas contribuições para a perpétua criatura. O leitor encontra textos de apoio que contam as relações entre a verdadeira Transilvânia e a aquela eternizada no livro, bem como a influência dos vampiros na cultura pop mundial. E como a DarkSide Books sabe o que faz o coração dos vivos leitores da editora bater mais forte, apresenta também o conto “O Hóspede de Drácula”, que fazia parte do texto de Stoker, mas foi retirado da primeira publicação. Todo esse conteúdo, planejado especialmente para os darksiders que sabem que existe uma razão para as coisas serem como são, é ornamentado com as belas e poderosas imagens de Samuel Casal, premiado quadrinista e ilustrador brasileiro, que fez uma releitura apaixonante de personagens imortais.

Frankenstein, de Mary Shelley

medo2Duzentos anos após sua criação, Frankenstein continua vivo – e mais atual do que nunca. Conheça a história original, com toda a sensibilidade e o terror que o cinema nunca conseguiu mostrar. Um cientista obcecado que desafia as leis da natureza e põe em risco a vida daqueles que ama. Uma criatura quase humana que deseja ser um de nós, mas só encontra medo, ódio e morte pelo caminho.

A obra-prima de Mary Shelley que deu origem ao terror moderno está de volta, numa edição monstruosa como só a DarkSide Books poderia lançar: capa dura, tradução primorosa, ilustrações inéditas do artista brasileiro Pedro Franz, além de quatro contos extras que versam sobre o mesmo tema do romance.

Impresso em duas cores: preto e sangue. Um livro que todos deveriam ler e reler ao longo da vida. A edição definitiva para se guardar para sempre.

O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson

medo3Poucos clássicos da literatura são tão conhecidos e adorados como O médico e o monstro, escrito em 1885. O romance foi um sucesso imediato de público e inseriu Robert Louis Stevenson no grupo dos grandes escritores da literatura universal. Ao narrar as experiências de um médico que tomou uma poção e descobriu “a dualidade absoluta e primordial do homem”, o autor escocês criou um suspense em que o perigo iminente não está do lado de fora, e sim do lado de dentro, na parte obscura da alma.

A Outra Volta do Parafuso, de Henry James

medo4A outra volta do parafuso conta a história da jovem filha de um pároco que, iniciando-se na carreira de professora, aceita mudar-se para a propriedade de Bly, em Essex, arredores de Londres. Seu patrão é tio e tutor de duas crianças, Flora e Miles, cujos pais morreram na Índia, e deseja que a narradora (que não é nomeada) seja a governanta da casa de Bly. Ao chegar a Essex, a jovem logo percebe que duas aparições, atribuídas a antigos criados já mortos, assombram a casa. O triunfo íntimo da protagonista, mais que desvendar o mistério de Bly, consiste em vencer o silêncio imposto pela diferença de condição social entre ela e seus pequenos alunos.

Desde que foi publicada, sucessivas gerações de leitores, críticos e artistas têm se inspirado na maestria narrativa desta novela, cuja tradução de Paulo Henriques Britto reconstitui com precisão a elegante contundência do original inglês.

Edgar Allan Poe – Medo Clássico: Vols. 1 & 2

medo5    medo5.1

Edgar Allan Poe: Medo Clássico Vol. 1 é uma homenagem ao mestre da literatura fantástica em todos os detalhes: da capa dura à tradução primorosa, além das belíssimas xilogravuras do artista gráfico Ramon Rodrigues. Pela primeira vez, os contos de Poe estão divididos por temas que ajudam a visualizar a grandeza de sua obra: a morte, narradores homicidas, mulheres etéreas, aventuras, além das histórias completas do detetive Auguste Dupin, personagem que inspirou Sherlock Holmes. Edgar Allan Poe: Medo Clássico apresenta ainda o poema “O Corvo” na sua versão original em inglês e nas traduções para o português de Machado Assis e de Fernando Pessoa, além do clássico ensaio sobre o poema, “A filosofia da composição”. O livro traz ainda o prefácio do poeta francês Charles Baudelaire, admirador do autor e seu primeiro tradutor na França.

Edgar Allan Poe: Medo Clássico Vol. 2 mostra toda a força das palavras do mestre em doze obras-primas de ficção, como “William Wilson”, “O Homem da Multidão”, “O Demônio da Perversidade”, “Uma Descida ao Maelström”, “A Verdade Sobre o Caso do sr. Valdemar” e “Lenore”. Um capítulo extra apresenta cartas pessoais do autor. Uma rara oportunidade para o leitor conhecer o homem por trás da obra. Repleta de mistérios e cantos obscuros, a vida pessoal de Poe foi tão intrigante quanto suas narrativas mais fantásticas. O livro chega em uma edição caprichada em capa dura, com ilustrações exclusivas do artista brasileiro Hokama Souza, e foi traduzido por Márcia Heloísa, doutora em Literatura Comparada na UFF e responsável pela tradução do Volume 1. É ela quem assina o prefácio que explica como os dois livros se completam: “Se no primeiro volume encontramos histórias de crimes e emissários da morte, agora encontraremos aqueles que por ela foram tocados: suas vítimas, involuntárias ou não”.

Carmilla: A Vampira de Karnstein, de J. Sheridan Le Fanu

medo6Cerca de quinze anos antes de Drácula, um livro sobre vampiros marcou a literatura gótica e estabeleceu-se entre os clássicos de horror: Carmilla, de Joseph Sheridan Le Fanu. Aliás, não um livro sobre vampiros, sobre “a vampira”. A lasciva personagem que dá título ao conto tornou-se uma das mais impactantes figuras do imaginário vampiresco na história. A obra é narrada por Laura, jovem que vive isolada com o pai em um castelo na Estíria – região do antigo império austro-húngaro. Uma hóspede inesperada, entretanto, despertará os sentimentos amorosos da jovem Laura, ao mesmo tempo que lhe causará certo terror ao trazer de volta antigos pesadelos da infância.

Carmilla é um conto sobre sedução e horror, criaturas ancestrais e o despertar da maturidade, amor e repulsa. Um clássico excitante para os amantes do gênero.

O Rei de Amarelo, de Robert W. Chambers

medo7Obra-prima de Robert W. Chambers, O Rei de Amarelo é uma coletânea de contos de terror fantástico publicada originalmente em 1895 e considerada um marco do gênero. Influenciou diversas gerações de escritores, de H. P. Lovecraft a Neil Gaiman, Stephen King e, mais recentemente, o escritor, produtor e roteirista Nic Pizzolatto, criador da série investigativa True Detective, exibida pela HBO, cujo mistério central faz referência ao obscuro Rei de Amarelo.

O título da coletânea faz alusão a um livro dentro do livro — mais precisamente, a uma peça teatral fictícia — e a seu personagem central, uma figura sobrenatural cuja existência extrapola as páginas. A peça “O Rei de Amarelo” é mencionada em quatro dos contos, mas pouco se conhece de seu conteúdo. É certo apenas que o texto, em dois atos, leva o leitor à loucura, condenando sua alma à perdição. Um risco a que alguns aceitam se submeter, dado o caráter único da obra, um misto irresistível de beleza e decadência.

O Homem Invisível, de H.G. Wells

medo8Os habitantes da pacata Iping têm toda razão de não conseguirem falar sobre outra coisa. O desconhecido que se hospedou na pensão local está sempre coberto da cabeça aos pés, com o rosto inteiramente envolto em bandagens. Além disso, chegou trazendo um verdadeiro laboratório portátil e um rastro de mistério, que aumenta ainda mais quando crimes começam a acontecer e quando se descobre que o homem é… invisível!

Sucesso desde a publicação, em 1897, O Homem Invisível mistura humor e ficção científica, além de ser também um belo livro sobre solidão, incompreensão e os laços entre o indivíduo e a humanidade.

Essa edição, com o selo de qualidade Clássicos Zahar, traz o texto integral, mais de 90 notas, cronologia de vida e obra de Wells e uma instigante apresentação. A versão impressa apresenta ainda capa dura e acabamento de luxo.

O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

classic7Em 1891, quando foi publicado em sua versão final, O retrato de Dorian Gray foi recebido com escândalo, e provocou um intenso debate sobre o papel da arte em relação à moralidade. Alguns anos mais tarde, o livro foi inclusive usado contra o próprio autor em processos judiciais, como evidência de que ele possuía “uma certa tendência” – no caso, a homossexualidade, motivo pelo qual acabou condenado a dois anos de prisão por atentado ao pudor.

Mais de cem anos depois, porém, o único romance de Oscar Wilde continua sendo lido e debatido no mundo inteiro, e por questões que vão muito além do moralismo do fim do período vitoriano na Inglaterra, definida por um dos personagens do livro como “a terra natal da hipocrisia”. Seu tema central – um personagem que leva uma vida dupla, mantendo uma aparência de virtude enquanto se entrega ao hedonismo mais extremado – tem apelo atemporal e universal, e sua trama se vale de alguns dos traços que notabilizaram a melhor literatura de sua época, como a presença de elementos fantásticos e de grandes reflexões filosóficas, além do senso de humor sagaz e do sarcasmo implacável característicos de Wilde.

Contos Clássicos de Vampiros

medo9O livro reúne os primeiros e os mais importantes textos sobre a clássica figura do vampiro – esse mito surgido do caldeirão cultural, étnico e religioso do Leste Europeu, que há séculos fascina a cultura ocidental. Entre seus autores, nomes como Lord Byron, Bram Stoker, Theóphile Gautier, Samuel Taylor Coleridge, Filós trato, John Polidori, Francis Marion Crawford, F.G. Loring, Heinrich August Ossenfeld e Gottfried August Bürger.

Abrangendo um século de histórias de vampiros, o volume traz desde um fragmento de um romance de Byron até o inédito “A tumba de Sarah”, de F.G. Loring, passando por um capítulo do Drácula de Bram Stoker que foi suprimido da publicação final.

O apêndice reúne algumas das mais instigantes criações literárias sobre o tema, como um fragmento do grego Filóstrato, e poemas de Ossenfelder, Bürger, Goethe e Coleridge.

Embora traga contos dos séculos XVIII e início do XX, a grande parte dos contos é do período do século XIX.

 

 

Deixe uma resposta