Copa do Mundo Literária – 8ª de final: Japão x Bélgica

Aproveitando o clima de Copa do Mundo e a definição dos primeiros confrontos das oitavas-de-final da competição, resolvemos criar a Copa do Mundo Literária. As partidas irão refletir as disputas que acontecerão na fase de mata-mata do torneio na Rússia. Os times serão formados por clássicos da literatura de cada país e cabe a você decidir quem tem o melhor seleção de craques da escrita.

Embora a Bélgica tenha confirmado o favoritismo com sua ótima geração de jogadores, é inegável que os autores japoneses levam vantagem no confronto literário. Na verdade, foi difícil escolher apenas cinco título para os samurais azuis, principalmente entre as inúmeras grandes obras de Haruki Murakami.

Japão:

Nowergian Wood, de Haruki Murakami

jap3Em 1968, Toru Watanabe acaba de chegar a Tóquio para estudar teatro na universidade, e mora em um alojamento estudantil só para homens. Solitário, dedica seu tempo a identificar e refletir sobre as peculiaridades dos colegas. Um dia, Toru reencontra um rosto de seu passado – Naoko, antiga namorada de seu grande amigo de adolescência Kizuki antes deste cometer suicídio. Marcados por essa tragédia em comum, os dois se aproximam e constroem uma relação delicada onde a fragilidade psicológica de Naoko se torna cada vez mais visível até culminar com sua internação em um sanatório.

O Gigante Enterrado, de Kazuo Ishiguro

jap1Uma terra marcada por guerras recentes e amaldiçoada por uma misteriosa névoa do esquecimento. Uma população desnorteada diante de ameaças múltiplas. Um casal que parte numa jornada em busca do filho e no caminho terá seu amor posto à prova – será nosso sentimento forte o bastante quando já não há reminiscências da história que nos une? Épico arturiano, o primeiro romance de Kazuo Ishiguro em uma década envereda pela fantasia e se aproxima do universo de George R. R. Martin e Tolkien, comprovando a capacidade do autor de se reinventar a cada obra. Entre a aventura fantástica e o lirismo, O gigante enterrado fala de alguns dos temas mais caros à humanidade: o amor, a guerra e a memória.

Musashi, de Eiji Yoshikawa

jap2Musashi é o mais famoso romance épico japonês do século XX, com cerca de 120 milhões de exemplares vendidos no mundo. A história de Miyamoto Musashi, na vida real o grande samurai do Japão da época dos xoguns (século XVII), conta como um jovem selvagem e sanguinário adquire, ao longo de inúmeras lutas e constantes situações de grande perigo, as qualidades e a têmpera que o levariam a ser o maior e mais sábio de todos os guerreiros

Battle Royale, de Koushun Takami

jap5Battle Royale é um thriller de alta octanagem sobre violência juvenil em um mundo distópico, além de ser um dos best-sellers japoneses e mais polêmico entre os romances. Como parte de um programa implacável pelo governo totalitário, os alunos do nono ano são levados para uma pequena ilha isolada e recebem um mapa, comida e várias armas. Forçados a usarem coleiras especiais, que explodem quando eles quebram uma regra, eles devem lutar entre si por três dias até que apenas um “vencedor” sobreviva. O jogo de eliminação se torna a principal atração televisiva de reality shows. Esse clássico japonês é uma alegoria potente do que significa ser jovem e sobreviver no mundo de hoje. O primeiro romance do jornalista Koushun Takami, tornou-se um filme ainda mais notório pelo diretor de 70 anos de idade, Kinji Fukusaku.

Do Outro Lado, de Natsuo Kirino

jap4De meia-noite às cinco e meia, sem intervalo, Yayoi, Masako, Yoshie, Kuniko e seus colegas permanecem ao lado da esteira transportadora, embalando quentinhas. Apesar de oferecer bom salário para meio-expediente, o serviço na fábrica de refeições de comida pronta é desgastante. Entre o trabalho mecânico da madrugada e os afazeres domésticos da manhã seguinte, as quatro operárias japonesas viveriam o repetitivo e extenuante cotidiano da mulher contemporânea até que um trágico assassinato mudasse suas vidas para sempre.

Natsuo Kirino expõe, neste premiado livro, as angústias e esperanças de quatro mulheres massacradas pela rotina de seu emprego e pela crise em suas vidas conjugal e familiar. Entremeado por cenas pesadas, costuradas por humor negro, Do outro lado é também uma emocionante narrativa sobre os motivos que conduzem essas mulheres aos seus extremos, e a amizade que nasce dessa situação-limite.

 

Bélgica:

A Neve Estava Suja, de Georges Simenon

bel3Aos dezenove anos, Frank Friedmaier vive na França sob a ocupação nazista, no início dos anos 1940. Todos lutam para sobreviver. Ele mora na casa da mãe, um prostíbulo que serve aos oficiais alemães, mas busca um sentido para sua vida. Friedmaier é um cafetão, um bandido, um ladrão. Assim que o livro começa, ele acaba de cometer seu primeiro assassinato. Pela escuridão de um inverno interminável, o protagonista se afundará na abjeção até que não haja mais saída. Este livro já foi descrito como “um dos raros romances nascidos sob a França ocupada que vão direto ao ponto”. Atrás das grades depois de ser descoberto pelos oficiais, Frank vive os dias como se fossem um só, desiste de comer, domestica seus desejos e cultiva uma indiferença absoluta em relação à vida.

Num estudo da mente criminosa comparado a O assassino em mim, de Jim Thompson, Simenon mapeia uma terra de ninguém em que a natureza humana é levada à destruição por forças que estão além de seu controle.

Tintim na América, de Hergé

bel5Em Tintim na América, as quadrilhas de gangsters reinam sem se preocupar durante a Lei Seca americana. Tintim e seu companheiro Milu desembarcam em Chicago, onde devem deter os homens de Al Capone. Após descobrir o paradeiro dos bandidos, Tintim vai parar numa tribo de peles-vermelhas, e seu encontro com os nativos americanos não será nada amigável. Esta é uma edição fac-similar da série As aventuras de Tintim, lançado pela primeira vez em 1931.

As Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar

bel2Uma das mais fascinantes obras do século XX, este livro traz como personagem principal Adriano, o grande imperador romano. Mas não se trata apenas de uma biografia romanceada. A grande dama da literatura francesa, mas nascida em Bruxelas, na Bélgica, faz uma obra de ficção, em que a ambienta física, política, social, cultural e psicológica obedece a um rigoroso processo de reconstituição histórica.

A Mulher no Espelho, de Eric-Emmanuel Schmitt

bel1Em Bruges, durante a Renascença, Anne foge no dia de seu casamento. Hanna mora na Viena imperial e acaba de se casar com um membro da elite local. Mas o que seria o começo de um final feliz é motivo de angústia para ela. Já Anny, nos dias de hoje, tem tudo o que se poderia desejar: dinheiro, beleza e sucesso. Tudo, menos felicidade. Três mulheres, três épocas, três histórias, o mesmo sentimento de inadequação. Schmitt narra de forma brilhante a jornada de personagens inquietas que buscam a verdade por trás da complexa existência.

Medo e Submissão, de Amélie Nothomb

bel4Romance vencedor do Grande Prêmio da Academia Francesa, Medo e Submissão é o mais recente romance da escritora belga Amélie Nothomb. Trata-se de um relato autobiográfico, “uma história humilhante”, segundo a própria autora, que revela sua experiência como estagiária em uma grande empresa japonesa sediada em Tóquio.

Medo e Submissão é uma pequena obra prima lúcida e bem-humorada, que consagra Amélie como uma das vozes mais talentosas da literatura de sua geração. O romance se passa em 1990, onde a jovem Amélie, aos 22 anos, emprega-se, cheia de entusiasmo, na companhia Yumimoto. Mas logo nos primeiros instantes percebe que não será fácil adaptar-se à cultura de seus empregadores. Dois pequenos detalhes a deixam em situação de extrema inferioridade diante de seus chefes: além de mulher, ela é ocidental.

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