Copa do Mundo Literária – 8ª de final: Brasil x México

Aproveitando o clima de Copa do Mundo e a definição dos primeiros confrontos das oitavas-de-final da competição, resolvemos criar a Copa do Mundo Literária. As partidas irão refletir as disputas que acontecerão na fase de mata-mata do torneio na Rússia. Os times serão formados por clássicos da literatura de cada país e cabe a você decidir quem tem o melhor seleção de craques da escrita.

No campo, o Brasil superou os mexicanos por 2 a 0, mas na literatura será que o placar seria uma goleada ou a dificuldade seria ainda maior? A seleção brasileira foi a mais difícil de escalar pela grande quantidade de clássicos, mas procurei trazer uma variedade de estilos. O que acharam desse time?

Brasil:

Dom Casmurro, de Machado de Assis

bras2Poucos romances examinam com tanta sutileza as artimanhas do ciúme como Dom Casmurro. Publicado em 1899, o livro permanece ainda hoje como um dos mais fascinantes estudos da traição. Aliás, como o leitor mais atento perceberá, são supostamente duas: a de Capitu, exposta pelo marido Bentinho, e a própria narrativa sobre como Bentinho modifica os fatos para corroborar suas suspeitas matrimoniais. Tudo isso é narrado com graça e inteligência num romance que jamais parece esgotar suas possibilidades de leitura. Críticos como Roberto Schwarz e Susan Sontag consideram a obra de Machado como um dos momentos mais altos da prosa ocidental do final do século XIX.

A Hora da Estrela, de Clarice Lispector

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Romance mais popular de Clarice Lispector, lançado em 1977, ano da morte da escritora, A Hora da Estrela expõe os dilemas criativos do escritor Rodrigo S. M. (alter-ego da própria Clarice) para narrar a história de Macabéa, uma jovem alagoana órfã, virgem, feia e solitária, criada por uma tia tirana, que a leva para o Rio de Janeiro, onde trabalha como datilógrafa e onde cumpre seu triste destino com total resignação.

Em seu romance de despedida, Clarice põe um pouco de si nas personagens Rodrigo e Macabéa. Ele, um escritor atormentado, à espera da morte; ela, uma moça infeliz e desprezada por todos, que gosta de espantar a solidão ouvindo a Rádio Relógio e que passou a infância no Nordeste, como a própria autora.

Uma obra que se mantém instigante, inovadora e profundamente comovente há 40 anos, ganhando reimpressões sucessivas e traduções em todo o mundo. Agora, A hora da estrela atinge seu apogeu com esta edição que já nasce clássica e predestinada a se tornar um item de coleção.

Capitães da Areia, de Jorge Amado

bras4Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes.

Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.

O Tempo e o Vento: O Continente, de Érico Veríssimo

bras3O Continente abre a mais famosa saga da literatura brasileira, O tempo e o vento . A trilogia — formada por O Continente , O retrato e O arquipélago — percorre um século e meio da história do Rio Grande do Sul e do Brasil, acompanhando a formação da família Terra Cambará. Num constante ir e vir entre o passado — as Missões, a fundação do povoado de Santa Fé — e o tempo do Sobrado sitiado pelas forças federalistas, em 1895, desfilam personagens fascinantes, eternamente vivos na imaginação dos leitores de Erico Verissimo: o enigmático Pedro Missioneiro, a corajosa Ana Terra, o intrépido e sedutor Capitão Rodrigo, a tenaz Bibiana.

Agosto, de Rubem Fonseca

bras51º de agosto de 1954, Rio de Janeiro, capital da República. Um empresário é assassinado e outro crime é planejado na sede do governo federal. O atentado frustrado contra o jornalista Carlos Lacerda, opositor de Getúlio Vargas, causará uma das maiores reviravoltas da história do Brasil. Um dos maiores sucessos de crítica de Rubem Fonseca, Agosto nos questiona: em que medida a história de uma pessoa e a história de um país se determinam, se diferenciam e se assemelham? Ao misturar com maestria história e ficção, o autor encontra a resposta: a boa literatura.

 

México:

Pedro Páramo, de Juan Rulfo

mex1Romance mais aclamado da literatura mexicana, Pedro Páramo é o primeiro de dois livros lançados em toda a vida de Juan Rulfo. O enredo, simples, trata da promessa feita por um filho à mãe moribunda, que lhe pede que saia em busca do pai, Pedro Páramo, um malvado lendário e assassino. Juan Preciado, o filho, não encontra pessoas, mas defuntos repletos de memórias., que lhe falam da crueldade implacável do pai. Vergonha é o que Juan sente. Alegoricamente, é o México ferido que grita suas chagas e suas revoluções, por meio de uma aldeia seca e vazia onde apenas os mortos sobreviveram para narrar os horrores da história.

O realismo fantástico como hoje se conhece não teria existido sem Pedro Páramo. É dessa fonte que beberam o colombiano Gabriel García Márquez e o peruano Mario Vargas Llosa, que também narram odisséias latino-americanas.

Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel

mex2Neste surpreendente romance que tem como subtítulo “Romance em fascículos mensais com receitas, amores e remédios caseiros”, tudo gira em torno da cozinha. Cada capítulo é aberto com uma extraordinária (e perfeitamente realizável) receita, em torno da qual não só se aglutinam os comensais que as consomem como também se “cozinham” e “coalham” amores e desamores, risos e prantos (sobretudo risos).

É na cozinha que Tita, a protagonista, passa a maior parte do tempo. Sua vida está relacionada aos pratos que afetuosamente prepara. Este romance narra a história de Tita desde o seu nascimento em um rancho no norte do México.

Aura, de Carlos Fuentes

mex3Poucos textos na literatura mexicana têm a beleza e a expressividade desta narrativa, Aura, em que os processos da ficção são levados às últimas conseqüências. As imagens do sonho alteram a realidade ou a realidade se vê contaminada pelo sonho. O fato é que Carlos Fuentes, dono de todos os recursos, empregando uma eficaz técnica literária, deu alento a uma atmosfera de sombras e ecos, onde está manifestado o tema da verdadeira identidade, e o amor volta a se unir, acima do tempo, através do mal e da morte. Aura é mais do que uma intensa história de fantasmas: é uma lúcida e alucinada exploração do sobrenatural, um encontro dessa vaga fronteira entre a irrealidade e o tangível, essa zona da arte onde o horror gera a beleza.

O Corpo em que Nasci, de Guadalupe Nettel

mex5Primeiro livro da mexicana Guadalupe Nettel, uma das escritoras mais representativas de sua geração na América Latina, a ser publicado no Brasil, pela coleção Otra Língua, O corpo em que nasci é inspirado na infância da autora, indelevelmente marcada por um problema no olho direito e um permanente sentimento de inadequação, bem como pelo ambiente em que cresceu, nos anos 1970 e 80, caracterizado pelas tentativas de quebra de padrões e pelos regimes autoritários em todo continente sul-americano. Flertando com a autoficção, o romance vem acompanhado de um posfácio assinado por Juan Pablo Villalobos.

Aristóteles e Dante Descobrem os Segredos do Universo, de Benjamin Alire Saénz

mex4Em um verão tedioso, os jovens Aristóteles e Dante são unidos pelo acaso e, embora sejam completamente diferentes um do outro, iniciam uma amizade especial, do tipo que muda a vida das pessoas e dura para sempre. E é através dessa amizade que Ari e Dante vão descobrir mais sobre si mesmos – e sobre o tipo de pessoa que querem ser.

Dante sabe nadar. Ari não. Dante é articulado e confiante. Ari tem dificuldade com as palavras e duvida de si mesmo. Dante é apaixonado por poesia e arte. Ari se perde em pensamentos sobre seu irmão mais velho, que está na prisão.

Um garoto como Dante, com um jeito tão único de ver o mundo, deveria ser a última pessoa capaz de romper as barreiras que Ari construiu em volta de si. Mas quando os dois se conhecem, logo surge uma forte ligação. Eles compartilham livros, pensamentos, sonhos, risadas – e começam a redefinir seus próprios mundos. Assim, descobrem que o amor e a amizade talvez sejam a chave para desvendar os segredos do Universo.

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