Copa do Mundo Literária – 8ª de final: Portugal x Uruguai

Aproveitando o clima de Copa do Mundo e a definição dos primeiros confrontos das oitavas-de-final da competição, resolvemos criar a Copa do Mundo Literária. As partidas irão refletir as disputas que acontecerão na fase de mata-mata do torneio na Rússia. Os times serão formados por clássicos da literatura de cada país e cabe a você decidir quem tem o melhor seleção de craques da escrita.

O segundo jogo dessas oitavas de final será entre os nossos vizinhos do Uruguai contra os portugueses que tanto influenciaram nossa literatura. Será que José Saramago, tal qual Cristiano Ronaldo, vai desequilibrar essa partida? Quem vence?

Portugal:

Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago

por1Uma terrível “treva branca” vai deixando cegos, um a um, os habitantes de uma cidade. Com essa fantasia aterradora, Saramago nos obriga fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu.

Um motorista parado no sinal se descobre subitamente cego. É o primeiro caso de uma “treva branca” que logo se espalha incontrolavelmente. Resguardados em quarentena, os cegos se perceberão reduzidos à essência humana, numa verdadeira viagem às trevas. O Ensaio sobre a cegueira é a fantasia de um autor que nos faz lembrar “a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”.

José Saramago nos dá, aqui, uma imagem aterradora e comovente de tempos sombrios, à beira de um novo milênio, impondo-se à companhia dos maiores visionários modernos, como Franz Kafka e Elias Canetti. Cada leitor viverá uma experiência imaginativa única. Num ponto onde se cruzam literatura e sabedoria, José Saramago nos obriga a parar, fechar os olhos e ver. Recuperar a lucidez, resgatar o afeto: essas são as tarefas do escritor e de cada leitor, diante da pressão dos tempos e do que se perdeu: “uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos”.

Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa

por2O narrador principal (mas não exclusivo) das centenas de fragmentos que compõem este livro é o “semi-heterônimo” Bernardo Soares. Ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa, ele escreve sem encadeamento narrativo claro, sem fatos propriamente ditos e sem uma noção de tempo definida. Ainda assim, foi nesta obra que Fernando Pessoa mais se aproximou do gênero romance. Os temas não deixam de ser adequados a um diário íntimo: a elucidação de estados psíquicos, a descrição das coisas, através dos efeitos que elas exercem sobre a mente, reflexões e devaneios sobre a paixão, a moral, o conhecimento. “Dono do mundo em mim, como de terras que não posso trazer comigo”, escreve o narrador. Seu tom é sempre o de uma intimidade que não encontrará nunca o ponto de repouso.

Os Maias, de Eça de Queiroz

por5Os Maias envolve o leitor na irresistível atmosfera da Lisboa de fins do século XIX. Tendo como protagonistas Carlos Eduardo da Maia e Maria Eduarda, e apresentando outros personagens memoráveis, como João da Ega, Dâmaso Salcede e o casal Gouvarinho, o livro narra a trajetória de três gerações de uma família, a história de um amor impossível e os rumos de um país.

Neste marco da literatura portuguesa, Eça dá vida a um refinado jogo social e compõe um panorama da cultura e dos problemas sociais e políticos do seu tempo, numa prosa limpa, cortante e inigualável.

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago

por4O filho de José e de Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo de sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.

Todos conhecem a história do filho de José e Maria, mas nesta narrativa ela ganha tanta beleza e tanta pungência que é como se estivesse sendo contada pela primeira vez. Nas palavras de José Paulo Paes: “Interessado menos na onipotência do divino que na frágil mas tenaz resistência do humano, a arte magistral de Saramago excele no dar corpo às preliminares e à culminância do drama da Paixão”.

Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco

por3Daqui o êxito do Amor de perdição: a grandeza trágica da história, a maneira comovida de a contar, a identificação sentimental de Camilo com o seu herói, a convergência de todos os efeitos para os lances culminantes da ação, o valor cênico de alguns passos, a força realista de outros, o portuguesismo dos sentimentos, o lirismo das cartas amorosas e dos comentários marginais do autor, o dinamismo e a pureza da linguagem – tudo isso torna o Amor de perdição uma obra-prima do gênero, com alguma coisa do sublime de Romeu e Julieta e o trágico de Manon Lescaut; talvez a novela de paixão amorosa mais intensa e mais profunda que se tenha escrito na Península.

 

Uruguai:

As Veias Abertas da América Latina, de Eduardo Galeno

sul12No livro, de 1971, Galeano analisa a história da América Latina desde o período da colonização europeia até a Idade Contemporânea, argumentando contra a exploração econômica e a dominação política do continente, primeiramente pelos europeus e seus descendentes e, mais tarde, pelos Estados Unidos. A exploração do continente foi acompanhada de constante derramamento de sangue indígena. Devido à exposição de eventos de grande impacto para o conhecimento da história do continente, o livro foi banido na Argentina, Brasil, Chile e Uruguai durante as ditaduras militares destes países.

A Trégua, de Mario Benedetti

uru4Escrito em formato de diário e com fina ironia, ‘A trégua‘ traz a história de Martín Santomé, um ‘homem maduro, de muita bondade, meio apagado, mas inteligente’. Prestes a completar 50 anos, viúvo há mais de vinte, Santomé mora com os três filhos. Não se relaciona bem com nenhum deles, tem poucos amigos e mantém uma rotina monótona e cinzenta. No diário, conta os dias que faltam para a aposentadoria; mas não tem idéia do que fará assim que se livrar do trabalho maçante. Seu destino, no entanto, mudará quando conhecer Laura Avellaneda, uma jovem discreta e tímida contratada para ser sua subalterna. Com ela, Martín Santomé voltará a conhecer o amor, numa luminosa trégua para uma vida até então triste e opaca. Mas será que essa relação conseguirá ir adiante?

Muito mais do que uma história de amor, ‘A trégua‘ é um questionamento sobre a felicidade e um retrato às vezes bem-humorado, às vezes ferino, dos difíceis relacionamentos humanos.

Contos de Amor e Loucura, de Horacio Quiroga

uru2Contos de amor de loucura e de morte” (1917) foi o primeiro livro de contos de Horacio Quiroga, considerado um dos maiores contistas da literatura hispano-americana. O autor traz em seus contos traços com influência de Edgar Allan Poe, Guy de Maupassant e Tchekhov.

Histórias como “O Solitário”; “A galinha degolada”; “O travesseiro de plumas”; “O mel silvestre”, entre outros, trazem o que há de melhor na literatura de terror e fantástica. O encontro do amor, da loucura e da morte em linhas sutis e envolventes, característica fundamental na obra de Quiroga. O leitor ficará atônito.

Espaços Íntimos, de Cristina Peri Rossi

uru3Nesta primeira obra da autora publicada no Brasil, o leitor é apresentado à sua força narrativa, à sua ironia, ao seu olhar que despe a realidade das ilusões banais ou mirabolantes do mundo contemporâneo. Os contos de Espaços íntimos trazem personagens cativantes e solitários em situações corriqueiras e angustiantes. Um homem que todas as noites se entrega a um jogo de paciência que parece não ter fim; uma empresária poderosa cansada da própria máscara; uma mulher que busca um programa de televisão para encontrar a namorada; um sujeito que ouve “A Internacional” como um canto perdido de sereia… As histórias se sucedem cada vez mais desconcertantes. E, quando o livro acaba, o leitor só pergunta: quando chega a próxima obra de Cristina Peri Rossi?

O Estaleiro, de Juan Carlos Onetti

uru5Cinco anos se passaram desde que Junta-Cadáveres fora expulso da pequena Santa Maria. Agora Junta retorna à cidade sozinho, forçando a postura e o passo de quem carrega mais do que desilusões e sonhos para continuar a viver… O estaleiro é uma obra -prima de Juan Carlos Onetti, um romance no qual o espaço degradado que anuncia seu título faz uma alegoria da condição humana e de sua essencial precariedade.

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