Biografia: Ursula K. Le Guin

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Biografia

Ursula Kroeber nasceu em 1929 em Berkeley, California.  Seus pais eram o antropologista Alfred Kroeber e a escritora Theodora Kroeber. Ursula frequentou a Radcliffe College e se formou na Universidade de Columbia. Ela casou-se com Charles A. Le Guin, um historiador, em Paris em 1953. O casal passou a morar em Portland, Oregon, a partir de 1958, e tiveram três filhos.

Ursula K. Le Guin escreve tanto prosa quanto poesia em seus vários gêneros e formatos, seja ficção literária, ficção científica, fantasia, young adult, infanto-juvenil, roteiros, dissertações, crítica literária, entre outros. Ela publicou sete obras de poesia, quase trinta livros de ficção, mais de cem contos (reunidos em várias antologias), quatro coletâneas de estudos,  doze livros infantis, e quatro traduções. Poucos autores americanos produziram tanta qualidade nas mais variadas formas.

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A maior parte dos principais títulos de Le Guin nunca saíram de catálogo, alguns deles com mais de quarentas anos de lançamento. Sua série de fantasia mais conhecida, o Ciclo Terramar, vendeu milhões de cópias nos EUA e na Inglaterra, e foi traduzida para aproximadamente vinte idiomas.  Seu primeiro grande trabalho de ficção científica, A Mão Esquerda da Escuridão, é considerado inovador pelo seu estudo profundo dos papéis de gênero, e também pela sua complexidade moral e literária. Os Despossuídos e Always Coming Home redefinem a estrutura e estilo da ficção distópica, enquanto suas histórias realistas sobre uma pequena cidade litorânea no Oregon em Searoad demonstram sua preocupação com os infortúnios cotidianos das pessoas comuns. Entre seus livros para crianças, a série Catwings é a mais lembrada. A sua versão de Tao Te Ching, de Lao Tzu, uma tradução na qual ela trabalhou por quarenta anos, recebeu muitos elogios. Sua poesia sempre atraiu grande interesse da crítica; Finding My Elegy, publicada em 2012, contém poemas selecionados de coletâneas anteriores, além de novos escritos.

Três dos livros de Le Guin foram finalistas do American Book Award e do Prêmio Pulitzer, e entre as muitas premiações que ela recebeu estão o National Book Award, cinco Hugo Awards, seis Nebula Awards, inúmeros Locus Award, SFWA’s Grand Master, Kafka Award, Hall da Fama da Ficção Científica, Howard Vursell Award of the American Academy of Arts and Letters,  L.A. Times Robert Kirsch Award, dois World Fantasy Awards,  Margaret A. Edwards Award, e em 2014 a Medalha da National Book Foundation pela sua contribuição à literatura americana.

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Ursula explorou a flexibilidade criativa da ficção científica e fantasia para empreender análises aprofundadas da identidade social e psicológica, e de estruturas sociais e culturais mais amplas. Para fazer isso, ela utiliza a sociologia, antropologia e psicologia, fazendo com que alguns críticos categorizem seus livros como ficção científica “soft“. Le Guin se opunha à essa classificação da sua escrita, argumentando que esse termo é divisivo e gera uma visão estreita do que constitui uma ficção científica válida. Ideais inerentes de anarquismo e ambientalismo também aparecem constantemente nos trabalhos da autora.

Le Guin sempre advogou em favor da literatura fantástica, reprovando aqueles que a consideram como um gênero inferior. Em 2015 ela escreveu uma forte réplica ao ganhador do Prêmio Nobel, Kazuo Ishiguro, que temia que seu livro, O Gigante Enterrado, fosse considerado fantasia. O feminismo também foi outro aspecto importante da vida de Le Guin, seja em suas obras de ficção ou artigos como Introducing Myself. Seu discurso quando recebeu o National Book Awards abordou o papel social da escrita, a defesa da liberdade dos autores, e condenou o mercado literário que só visa o lucro, é um dos mais fortes que já assisti.

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Ursula K. Le Guin faleceu em 22 de janeiro de 2018, mas seu nome viverá para sempre na história da literatura mundial.

Principais obras publicadas no Brasil

A Mão Esquerda da Escuridão (1969)

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Genly Ai foi enviado a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal. Ao chegar no planeta Inverno, como é conhecido por aqueles que já vivenciaram seu clima gelado, o experiente emissário sente-se completamente despreparado para a situação que lhe aguardava. Os habitantes de Gethen fazem parte de uma cultura rica e quase medieval, estranhamente bela e mortalmente intrigante. Nessa sociedade complexa, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido e, como resultado, não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta. Mas Genly é humano demais. A menos que consiga superar os preconceitos nele enraizados a respeito dos significados de feminino e masculino, ele corre o risco de destruir tanto sua missão quanto a si mesmo.

Os Despossuídos (1970)

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Ganhador do prêmio Nebula de melhor romance em 1974, além do Hugo e do Locus em 1975, Os Despossuídos lida com temas fundamentais a sua época, como o capitalismo, o comunismo russo e o anarquismo, além dos conceitos de individual e coletivo. O romance se passa em dois planetas-gêmeos, Uras e Anarres, com sistemas políticos opostos e prestes a entrar em guerra, numa alusão à Guerra Fria.

O Feiticeiro de Terramar (1968)

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Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda.

Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários.

Publicado originalmente em 1968, O feiticeiro de Terramar se tornou um clássico da literatura de fantasia. Ged é um predecessor em magia e rebeldia de Harry Potter. E Ursula K. Le Guin é uma referência para escritores do gênero como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman.

As Tumbas de Atuan (1970)

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Quando Tenar é escolhida como suma sacerdotisa, tudo lhe é tirado: casa, família e até o nome. Com apenas 6 anos, ela passa a se chamar Arha e se torna guardiã das tenebrosas Tumbas de Atuan, um lugar sagrado para a obscura seita dos Inominados.

Já adolescente, quando está aprendendo os caminhos do labirinto subterrâneo que é seu domínio, ela se depara com Ged, um mago que veio roubar um dos maiores tesouros das Tumbas: o Anel de Erreth-Akbe. Um homem que traz a luz para aquele local de eternas trevas, ele é um herege que não tem direito a misericórdia.

Porém, sua magia e sua simplicidade começam a abrir os olhos de Arha para uma realidade que ela nunca fora levada a perceber e agora lhe resta decidir que fim terá seu prisioneiro.

Finalista da Newbery Medal, que premia os melhores livros jovens de cada ano, As Tumbas de Atuan dá continuidade ao elogiado Ciclo Terramar com uma singela história que rompeu com os paradigmas de heroína quando foi lançada.

 

 

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