5 livros para quem curtiu Perdido em Marte

Perdido em Marte trilhou um caminho incomum em sua caminhada rumo ao sucesso. Publicada primeiramente de forma seriada no site do próprio autor, a história foi disponibilizada em e-book na Amazon após ser completada. Não demorou muito para chegar ao topo dos mais vendidos do site, ser publicada por uma grande editora, e ganhar uma adaptação cinematográfica. O filme, dirigido por Ridley Scott e protagonizado por Matt Damon, foi um sucesso de público e crítica, alavancando as vendas dos livros. Andy Weir, antes apenas um autor independente, se tornou um fenômeno da noite para o dia.

Nessa postagem na sessão “Se você leu…”, vamos indicar cinco leituras para quem embarcou para Marte junto com Mark Watney e sobreviveu para contar a história.

Guerra do Velho, de John Scalzi

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Embora não seja tão inteligente quanto Watney, John Perry é muito criativo quando precisa escapar das mais adversas situações. O carisma do protagonista, aliado ao humor de Scalzi, tornam Guerra do Velho uma grande opção para os leitores de Perdido em Marte.

A humanidade finalmente chegou à era das viagens interestelares. A má notícia é que há poucos planetas habitáveis disponíveis – e muitos alienígenas lutando por eles. Para proteger a Terra e também conquistar novos territórios, a raça humana conta com tecnologias inovadoras e com a habilidade e a disposição das FCD – Forças Coloniais de Defesa. Mas, para se alistar, é necessário ter mais de 75 anos. John Perry vai aceitar esse desafio, e ele tem apenas uma vaga ideia do que pode esperar.

“A grande força da escrita de Scalzi é o seu caráter envolvente, aliado ao bom-humor e carisma do protagonista, que fazem com que o leitor não tenha vontade de parar de ler até ter terminado o livro.” – INtocados

As Crônicas Marcianas, de Ray Bradbury

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Um verdadeiro clássico da ficção científica sobre Marte, os contos de As Crônicas Marcianas foram publicadas primeiramente em revistas pulps da década de 50. Somente década seguinte que o autor Ray Bradbury resolveu reuni-las em um único livro. Apesar de poderem ser lidos de forma independente, as histórias formam um relato da colonização de Marte.

Marte e os marcianos fazem parte do imaginário dos terráqueos desde muito antes da chegada do homem na Lua. Antes que soubéssemos através das célebres palavras transmitidas pela televisão para o mundo inteiro que ‘a Terra é azul’, sonhamos com pequenos seres verdes, curiosos, inteligentes, maldosos ou bem mais evoluídos que nós, a nos oferecerem o eterno embate com o desconhecido, com o imponderável, num exercício sempre profícuo de aprendizado e tolerância.
Ray Bradbury mergulhou fundo nesse exercício de imaginação. Bradbury, nessas crônicas, imagina um futuro menos desolador – a colonização do planeta Marte, empreendida para que a Humanidade continuasse existindo, em busca de recursos naturais e empregos, é descrita como uma divertida mistura de um cotidiano curioso – pães de cristal, fogo elétrico para se beber, icebergs que funcionam como congeladores – e de uma dramática avaliação da vida social e do conflito de culturas.
Embarcar nessa viagem espacial é ir ao encontro de um vasto imaginário, que inspirou diversos filmes e fez parte da fantasia de várias gerações. Bradbury, espécie de pai da ficção científica, mostra que a mistura de imaginação e humor nunca se tornará obsoleta, ainda que o leiamos numa data posterior ao futuro imaginado por ele.

Para finalizar, o livro é um banquete para quem ama ficção científica, filosofia e poesia; não necessariamente todas elas, pois cada um pode se servir do pedaço do bolo que deseja. É uma leitura rápida e fluida. Vale a pena.” – Homo Literatus

A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil, de Becky Chambers

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Apesar de relatarem diferentes tipos de viagens espaciais, A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil e Perdido em Marte tem algo em comum: a jornada que os autores tiveram que enfrentar para publicá-los. Enquanto Andy Weir publicou o livro em seu site e depois na Amazon, Becky Chambers recorreu ao financiamento coletivo para publicar sua primeira obra. É difícil, mas com qualidade e um montão de sorte, é possível sair do mar de escritores independentes e fazer sucesso.

O livro de Becky Chambers é um marco recente no universo da ficção científica. Lançado originalmente através de financiamento coletivo pela plataforma Kickstarter, ele conquistou a crítica especializada e os ainda mais exigentes fãs do gênero, sendo indicado para prêmios respeitados, como o Arthur C. Clarke Award e o Hugo Award.
Um dos motivos do sucesso de A Longa Viagem a um Pequeno Planeta Hostil é a abordagem da história. Elementos essenciais em qualquer narrativa sci-fi estão muito bem representados, como a precisão científica e suas possíveis implicações políticas. O gatilho principal é a construção de um túnel espacial que permitirá ao pequeno planeta do título participar de uma aliança galáctica.
Mas o que realmente torna único esse romance on the road futurístico e muito divertido são seus personagens. Instigantes, complexos, tridimensionais. A autora optou por contar a história de gente como a gente — ainda que nem todos sejam terráqueos, ou mesmo humanos. A tripulação da nave espacial Andarilha é composta por indivíduos de planetas, espécies e gêneros diferentes, incluindo uma piloto reptiliana, uma estagiária nascida nas colônias de Marte e um médico de gênero fluido, que transita entre o masculino e o feminino ao longo da vida. Temas como amizade, racismo, poliamor, força feminina e novos conceitos de família fazem parte do universo do livro, assim como cada vez mais fazem parte do nosso mundo.

A Longa Viagem a Um Pequeno Planeta Hostil apresenta uma história simples, porém grandiosa. Não é uma história com guerras e ação de tirar o fôlego, mas Becky Chambers encontrou o ritmo ideal para construir a sua história. Todas as partes do livro foram ricamente preenchidas, com cenas precisas e fundamentais.” – Abdução Literária

Leviatã Desperta, de James S.A. Corey

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Uma mistura de space opera e romance policial noir, Leviatã Desperta tem o clima mais sombrio e pesado dessa lista. No entanto, ele também compartilha uma semelhança com Perdido em Marte, ainda que em mídias diferentes. Enquanto o livro de Andy Weir foi adaptado em um filme indicado ao Oscar, Leviatã Desperta ganhou espaço no canal SyFi com The Expanse. A série foi inclusive premiada com o Hugo Awards de “Melhor Apresentação Cinematográfica de Curta Duração” pelo season finale da primeira temporada.

Neste thriller que deu origem à série The Expanse, duzentos anos se passaram desde a expansão para o espaço, e a humanidade vive um momento crítico em que a população ocupa diversos planetas e se divide em interesses conflitantes. Quando um relutante capitão de nave e um detetive decadente se envolvem nas investigações do desaparecimento de uma garota, o que eles descobrem leva nosso sistema solar à beira de uma guerra civil e expõe a maior conspiração da história humana.

Leviatã Desperta é por vezes Space Opera, por outras Policial Futurista, e mais outra Pré-distopia científica, que chama atenção pelo bom trabalho na caracterização de seus personagens, nas tramas bem pensadas e construídas, com particularidades que não podem faltar numa narrativa original…” – Cantar em Verso

As Crônicas de Marte, de George R.R. Martin & Gardner Dozois

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Com publicação prevista para janeiro do ano que vem, As Crônicas de Marte é o mais novo lançamento de sci-fi em território nacional sobre o planeta vermelho que tanto nos encanta. Uma verdadeira homenagem à Era de Ouro da Ficção Científica, organizada pelos inseparáveis George R.R. Martin e Gardner Dozois.

Uma princesa de Marte e As crônicas marcianas, dos mestres Edgar Rice Burroughs e Ray Bradbury, foram clássicos que influenciaram a imaginação de milhões de leitores e mostraram que aventuras espaciais não precisavam se passar numa galáxia distante, a anos-luz da Terra para serem emocionantes. Elas podiam ser travadas logo ali, no planeta vizinho.
Antes mesmo do programa Mariner e da corrida espacial, a imaginação já povoava nosso sistema solar com seres estranhos e civilizações ancestrais, nem sempre dispostos a fazer contato amigável com a Terra. E, de todos os planetas que orbitavam o nosso Sol, nenhum tinha uma aura de maior romantismo, mistério e aventura do que Marte.
Com contos escolhidos e editados por George R. R. Martin e Gardner Dozois, As crônicas de Marte retoma esse sentimento ao celebrar a Era de Ouro da ficção científica, um período recheado de histórias sobre colonizações interplanetárias e conflitos antigos.
Para essa missão, autores consagrados como Michael Moorcock, Mike Resnick, Joe R. Lansdale, S. M. Stirling, Mary Rosenblum, Ian McDonald, Liz Williams e James S. A. Corey foram convidados a revisitar o misterioso planeta vermelho, aqui representado como um destino exótico e desértico, com cidades em ruínas, civilizações impressionantes… e, é lógico, perigos inimagináveis.
Enfim, o bom e velho Marte está de volta.

A maioria dessas histórias são intensas, divertidas e relevantes. De todos os excelentes contos de cientistas e arqueólogos forjando o passado e olhando para o futuro, apenas alguns não me conquistaram completamente, enquanto outros foram grandes destaques, e o restante satisfatório e agradável.” – Tor.com

Bônus:

Uma Princesa de Marte, de Edgar Rice Burroughs

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Primeiro livro da série Barsoom, de Edgar Rice Burroughs, considerada uma influência para nomes como Robert A. Heinlein, Arthur C. Clarke, e Ray Bradbury. Barsoom foi inclusive indicada ao Hugo de Melhor Série de Ficção Científica e Fantasia, na companhia de títulos como O Senhor dos Anéis e Fundação (o vencedor). Publicado no Brasil em 2010, em uma época menos propícia para ficção científica do que o dias atuais, Uma Princesa de Marte ainda sofreu com o filme John Carter: Entre Dois Mundos, uma adaptação cinematográfica sofrível.

Um século após sua publicação, Uma Princesa de Marte recebe sua primeira versão brasileira do texto original que inspirou o filme John Carter, dos estúdios Disney.
O capitão John Carter, combatente do exército confederado, tenta recomeçar sua vida após perder tudo o que possuia com o fim da Guerra Civil Americana. Ele só não poderia imaginar que seu caminho o levaria a terras desconhecidas em outro planeta. Apesar da aparência inóspita, Marte é repleto de vida, com uma flora peculiar e fauna diversificada, habitada por estranhas raças constantemente em guerra umas com as outras. Capturado pelos temíveis tharks, John Carter luta por sua liberdade e busca conquistar o amor de Dejah Thoris, princesa de Helium. Numa jornada repleta de contratempos, ele se envolve em disputas entre as diversas tribos de Barsoom – como o planeta é chamado por seus habitantes –, fazendo poderosos inimigos e ganhando a confiança de importantes aliados.

Como em muitas obras clássicas, o leitor deve estar preparado para uma trama que, se comparada às de seus sucessores, pode parecer pouco surpreendente e simples demais. Mas é possível se entreter bastante com a leitura e mergulhar nesse mundo fantástico, tendo em mente que esta é uma obra seminal, que inspirou muitos outros autores de ficção científica, e, claro, aproveitando bastante suas batalhas empolgantes.” – Sem Serifa

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