10 livros de fantasia nacional – Parte 1

A nova onda da literatura brasileira de fantasia revela grandes talentos com regularidade cada vez maior. O crescimento do gênero,  da cultura relacionada ao fantástico, seja através de filmes ou séries, assim como a maior facilidade para se publicar um livro, nos proporcionam uma grande variedade de escritores cada vez mais preocupados em melhorar o nível de sua escrita.

Nessa lista escolhemos dez ótimos livros de dez autores diferentes, entre experientes e novatos, mostrando a força da fantasia nacional.

Ordem Vermelha: Filhos da Degradação, de Felipe Castilho

nac1

Você destruiria seu mundo em nome da verdade?
A última região habitada do mundo, Untherak, é povoada por humanos, anões e gigantes, sinfos, kaorshs e gnolls. Nela, a deusa Una reina soberana, lembrando a todos a missão maior de suas vidas: servir a Ela sem questionamentos. No entanto, um pequeno grupo de rebeldes, liderado por uma figura misteriosa, está disposto a tudo para tirá-la do trono.
Com essa fagulha de esperança, mais indivíduos se unem à causa e mostram a Una que seus dias talvez estejam contados. Um grupo instável e heterogêneo que precisará resolver suas diferenças a fim não só de desvendar os segredos de Untherak, mas também enfrentar seu mais terrível guardião, o General Proghon, e preparar-se para a possibilidade de um futuro totalmente desconhecido. Se uma deusa cai, o que vem depois?
Ordem Vermelha: Filhos da Degradação é o preâmbulo da jornada de quatro improváveis heróis lutando pela liberdade de um povo, um épico sobre resistir à opressão, sobre lutar contra o status quo e construir bravamente o próprio destino. Porta de entrada para um novo mundo com inspirações de fantasia medieval, personagens marcantes e uma narrativa que salta das páginas a cada vila, ruela e beco de Untherak. O primeiro livro de fantasia que a editora Intrínseca lança em parceria com a CCXP – Comic Con Experience, escrito por Felipe Castilho em cocriação com Rodrigo Bastos Didier e Victor Hugo Sousa.

Com direção do Erico Borgo e Renan Pizii, e criado em parceria com Rodrigo Bastos Didier e Victor Hugo Sousa, a Ordem Vermelha é um dos projetos que mais me orgulho de ter visto nascer: cada viela suja, cada escravo que se revolta e cada mistério por trás da última cidade do mundo, Untherak.

Um livro com conceitos novos, empolgantes, cenas de ação de tirar o fôlego e um tema mais atual que nunca. Essencial para os fãs de fantasia e universal para qualquer leitor que goste de uma boa história!” – Daniel Lameira, editor da Intrínseca.

O Teatro da Ira, de Diego Guerra

nac2

Jhomm Krulgar é um ninguém. Um rato de estrada. Um cachorro vadio. Um mastim demoníaco. Sua espada está a venda para qualquer um com moedas no bolso e objetivos escusos. Quando uma garota surge prometendo a riqueza de um rei e a realização dos seus desejos de vingança, ele nem imagina que está prestes a se envolver em um dos mais perigosos jogos políticos de sua era.
Agora, ele e Khirk, seu companheiro silencioso, membro de uma antiga raça escrava, partem para o Sul, onde tentarão impedir os rebeldes separatistas de tomar a coroa da maior cidade do Império de Karis. Encontrarão em seu caminho um Magistrado em missão de paz e um mago ilusionista prestes a realizar o maior espetáculo da sua vida.
O Teatro da Ira, primeiro romance da série Chamas do Império, de Diego Guerra, é uma viagem fantástica onde criaturas místicas e soldados comuns lutam lado a lado nas paredes de escudo, implorando pela própria vida e alimentando as fogueiras da morte para fazer valer as vontades de reis e nobres.
Enquanto Krulgar busca cegamente a sua vingança, não faz ideia de que se tornou apenas mais um dos personagens sombrios deste Teatro da Ira.

Com uma escrita bem direta, sem enrolação, misturando momentos de ação pura e ferrenhas intrigas políticas, deixo a indicação desse livro para todos aqueles leitores que são fãs d’As Crônicas de Gelo e Fogo e da trilogia A Primeira Lei. Vocês encontrarão muitos elementos em comum enquanto desbravarem O Teatro da Ira, melhorando ainda mais a sua experiência de leitura.” – Desbravando Livros

A Joia da Alma, de Karen Soarele

nac3

Nada pode apagar o passado.
Um aventureiro veterano, Christian está prestes a completar uma última jornada, que lhe permitirá se aposentar em paz. Mas tudo dá errado quando o passado volta para assombrá-lo.
Agora, Christian e seus companheiros, um mago aberrante e uma menina selvagem, terão de cruzar o Reinado de Arton em busca de um poderoso artefato. Mas eles não são os únicos nessa jornada: Verônica e seu grupo se mostram rivais à altura e parecem estar sempre um passo à frente.
Chegou o momento de revirar o passado e abrir antigas feridas. Afinal, fugir de si mesmo é negar os próprios deuses. Não que Christian ligue para isso.
A Joia da Alma é o mais novo romance de Tormenta, o maior universo de fantasia do Brasil, lar de dezenas de quadrinhos, livros e jogos. Uma história sobre heróis relutantes, erros do passado e busca pela redenção. E sobre uma ameaça que pode destruir todo o mundo de Arton.

A verdade é que “a Joia da Alma” apresenta uma fantasia madura, muito bem escrita e desenvolvida, e fiel as raízes do gênero sem renegar a personalidade de sua autora. Um livro que entretém ao mesmo tempo que trabalha noções como amizade, amor, lealdade, ganância, ressentimento, ódio, dentre uma série de outros. Uma obra capaz de abrir ainda mais a percepção do leitor sobre esse mundo tão grande, incrível, e cheio de possibilidades que é Arton, um mundo de problemas, mas de soluções maravilhosas também. Fazendo uma comparação com uma sessão de RPG, de onde veio o cenário do livro, é como se Karen estivesse narrando uma aventura tão maravilhosa e instigante, que fosse impossível não comparecer ao próximo jogo, aqui, o capítulo seguinte.” – Baião de Letras

As Crônicas de Olam: Luz e Sombras, de L.L. Wurlitzer

nac4

“Em busca de vingança, o líder da mais poderosa classe de guerreiros de Olam invade uma cidade proibida, atrás da cortina de trevas, e enfrenta uma terrível criatura. Sua atitude quebra um antigo tratado de paz e dá início a uma contagem regressiva para a guerra entre o império dos shedins e o reino de Olam. Após dois mil anos de relativa paz e segurança, uma guerra de proporções e consequências imprevisíveis estava para estourar.
Luz e sombras se enfrentariam mais uma vez…
O futuro do reino pode estar na distante e atrasada cidade de Havilá, onde Enosh, um misterioso lapidador de pedras shoham, vive com o seu aprendiz, o jovem Ben, apelidado de “o guardião de livros”.
No primeiro livro da trilogia As Crônicas de Olam, o escritor brasileiro, L. L. Wurlitzer, nos leva a um mundo desconhecido baseado na milenar cultura hebraica. A história conta as aventuras do “guardião de livros” que se lança desesperadamente em uma perigosa viagem para desvendar os mistérios que cercam o desaparecimento de seu mestre. Em seu caminho, ele encontrará criaturas e demônios aterrorizantes, conhecerá cidades esplêndidas e enfrentará batalhas épicas, pouco sabendo que suas escolhas podem significar a salvação ou o fim de uma Era.”

Com rara habilidade de unir suspense, mistério, aventura e romance, L. L. Wurlitzer conduz-nos a um mundo criado com detalhes impressionantes sobre uma sólida estrutura literária e mitológica. Uma história de grande amplitude, mas ao mesmo tempo estreitamente interligada, com uma trama eletrizante que leva o leitor a desfechos imprevisíveis. Sem dúvida, uma das mais criativas e originais ficções fantásticas dos últimos tempos.” – Livros, Uma Paixão

A Canção dos Shenlongs, de Diogo Andrade

nac5

Os tempos mudaram. A ascensão do Império de Housai obrigou os monges guerreiros shenlongs a se isolarem cada vez mais. Com o passar dos anos, os Quatro Templos sagrados se tornaram seu último refúgio. Os Antigos se foram. Seus descendentes desapareceram. Aqueles que resistem à nova ordem estão enfraquecidos.
Por mais de mil anos, o Templo da Montanha, Shanjin, se manteve firme em Linshen. E para Mu, Shanjin é sua casa. Chegou ao templo ainda criança junto de seu irmão, Ruk. E, quando Ruk é expulso da ordem monástica, Mu vive o conflito entre a dor da perda e se manter como um shenlong, fiel aos ensinamentos e o caminho de retidão.
Os problemas se agravam quando um espadachim misterioso traz a notícia da grande ameaça que pode abalar os Quatro Templos. O exílio não durará. Agora, os shenlongs de Shanjin devem reforçar suas defesas e se preparar para o combate. Pois, desta vez, nem a Barreira será suficiente para protegê-los.
Em a Canção dos Shenlongs, Diogo Andrade introduz um universo ficcional elaborado com suas próprias regras, leis, deuses, religiões e relações de poder, que transportam o leitor para uma realidade de grande imaginação.

A maior qualidade de A Canção dos Shenlongs é que ele não tenta inventar a roda e fazer algo novo, mas também não é uma mera cópia de vários outros títulos de fantasia medieval disponíveis no mercado. (…) Quer uma boa história e não tem muito tempo livre para ler? A Canção dos Shenlongs é o livro perfeito para você. Quando perceber, já acabou. Aí você aproveita e vai perturbar o Diogo Andrade pela continuação, assim como eu.” – INtocados

Fábulas Ferais, de Ana Cristina Rodrigues

nac6

As histórias contadas neste livro falam sobre os habitantes de Shangri-lá, Cidade das Feras e Lar das Bestas. Um lugar mágico e belo, mas que em seu horizonte está sempre a ameaça da guerra. Falam sobre Íbis, Maya, Lori e tantos outros que nos encantam com suas conquistas e perdas. Com uma escrita delicada, porém contundente, Ana Cristina nos leva para um universo incrível onde animais se unem, apesar das diferenças, para se proteger contra os Humanos e suas tentativas de destruir Shangri-lá.

Uma fantasia com tudo nos seus devidos lugares e uma joia rara na literatura fantástica nacional. Recomendadíssimo para todos! Só me resta agora aguardar o lançamento do Atlas Ageográfico de Lugares Imaginários para voltar a Shangri-lá.” – A Taverna

Raízes de Vento e Sangue, de Lauro Kociuba

nac7

O folclore é mais do que lendas, mitos e medos. Ele nos forma, está nas lembranças mais antigas e profundas, desde o chinelo virado no chão até o leite azedo na cozinha.
Quando eu decidi escrever sobre folclore, eu senti um medo absurdo. Não dos mitos, ou de não conseguir criar algo, mas medo por trabalhar algo tão grandioso e íntimo de cada um dos leitores brasileiros (ainda que alguns não saibam disso).
Sacis demoram 7 anos para nascer e vivem 77 anos, além disso, eu nasci no dia 7 do 7: acho que são motivos suficientes para justificar a escolha de 7 contos. Cada um é de um estilo diferente, onde tentei explorar e testar uma coisa diferente.
O que posso dizer é que senti orgulho ao escrever esses contos, orgulho de ser brasileiro, de ter um pouco disso tudo dentro de mim, e agora de poder colocar um pouco de mim nisso.

Evolução! Essa é a primeira palavra que vem à mente ao sentar para escrever essa resenha dessa coletânea de contos de Lauro Kociuba. Página após página eu mal podia acreditar o quanto a escrita do autor havia melhorado desde Liga dos Artesãos, seu primeiro livro. É um grande exemplo do que pode acontecer quando uma pessoa se dedica a aprimorar algo que ela gosta e sabe fazer.” – INtocados

O Castelo das Águias, de Ana Lúcia Merege

nac8

O Castelo das Águias, romance fantástico de Ana Lúcia Merege, é um lugar especial. Localizado nas Terras Férteis de Athelgard, região habitada por homens e elfos, abriga uma surpreendente Escola de Magia, onde os aprendizes devem se iniciar nas artes dos bardos e dos saltimbancos antes de qualquer encanto ou ritual.
Apesar de sua juventude, Anna de Bryke aceita o desafio de se tornar a nova Mestra de Sagas do Castelo. Aprende os princípios da Magia da Forma e do Pensamento e tem a oportunidade de conhecer pessoas como o idealizador da Escola, Mestre Camdell; Urien, o professor de Música; Lara, uma maga frágil e enigmática, e o austero Kieran de Scyllix, o guardião das águias que mantêm um forte elo místico com os moradores do Castelo.
Enquanto se habitua à nova vida e descobre em Kieran um poço de sentimentos confusos e turbulentos, uma exigência do Conselho de Guerra das Terras Férteis põe em risco a vida e a liberdade das águias. Com o apoio de Kieran, Anna lutará para preservá-las , desvendando uma trama de conspiração e segredos que envolvem importantes magos do Castelo.

Enfim, para quem está procurando uma boa história de fantasia, o livro de Ana Lúcia Merege é um prato cheio com ação, romance e muita aventura. Uma construção de mundo impecável que só tende a melhorar em futuras edições tornam a narrativa riquíssima em detalhes. Temos também uma personagem extremamente credível e que precisa lidar com suas limitações para solucionar os problemas com inteligência.” – Ficções Humanas

A Alcova da Morte, de Enéias Tavares, Nikelen Witter & A.Z. Cordenonsi

nac9

Brasil, 1892. Na noite da inauguração da estátua do Corcovado, um horrendo crime toma de assalto a alta sociedade carioca. Para resolver o mistério, a investigadora particular Maria Tereza Floresta, o engenheiro positivista Firmino Boaventura e o dândi místico Remy Rudá terão de se embrenhar numa perigosa trama de poder e corrupção. O que parece mais um caso, aos poucos se revela um plano que põe em risco o futuro de todo país e para impedi-lo, a agência de detetives Guanabara Real terá de usar toda a sua perícia para solucionar os enigmas tecnológicos e os mistérios arcanos da sangrenta Alcova da Morte!
Uma trama de investigação policial. Um enredo de ficção científica. Um crime de horror sobrenatural. Três autores, Três heróis, em um Rio de Janeiro que nunca existiu!

Guanabara Real: A Alcova da Morte é uma obra fascinante, das poucas das que realmente conseguem apresentar um mistério – e personagens – capaz de prender o leitor. A melhor parte, além de todos os motivos já falados acima, é que ela foi feita por promissores autores nacionais, de forma que os elementos típicos não apenas da cidade do Rio de Janeiro, mas do próprio Brasil, por piores que sejam, são verossímeis e corretamente apresentados de uma maneira que só nativos conseguiriam fazê-lo.” – Delirium Nerd

A Bandeira do Elefante e da Arara, Christopher Kastensmidt

nac10

Os críticos foram unânimes em apontar a originalidade da história e a fascinante abertura que ela trouxe para um campo de folclore e mitologia pouco explorado internacionalmente pelo gênero: Kastensmidt usa o folclore, a paisagem, a história e a geografia do Brasil Colônia.
Agora, as três novelas e sete outras aventuras protagonizadas pelo aventureiro holandês van Oost e pelo ex-escravo ioruba Oludara estão juntas em uma única narrativa fluida e dinâmica, que dão forma ao primeiro romance de Kastensmidt, A Bandeira do Elefante e da Arara, lançado com uma linda arte de capa de Ursula “SulaMoon” Dorada.
O romance traz uma visão completa da evolução dos heróis e do seu contato com diversas populações e etnias do Brasil Colônia, e o autor aprofunda e expande as implicações míticas do universo original de fantasia criado por ele. Leitura entusiasmante, A Bandeira do Elefante e da Arara é uma narrativa de tirar o fôlego, com emoções variadas e a capacidade de modificar como enxergamos a experiência brasileira.

Por fim, é relevante dizer que o livro é divertido, acima de tudo, e vem preencher no Brasil duas lacunas ainda muito carentes em nossa literatura: o trato com nuances de nosso folclore/cultura; e fantasias baseadas no subgênero capa e espada. Quando esse espaço é preenchido de maneira tão competente e instigante, é difícil não ressaltar de maneira apaixonada. Desta forma, é impossível que eu não relate minha grande satisfação ao final da leitura. Embora tivesse uma expectativa grande em relação a obra, posso dizer que elas foram superadas pelo trabalho do Christopher Kastensmidt.” – Baião de Letras

Deixe uma resposta