5 livros para quem curtiu It: A Coisa

It: A Coisa é um livro único, complexo e emocionante, como pude comprovar na leitura que acabei de finalizar. Me sinto como um órfão por saber que nunca mais lerei uma história como aquela. Mesmo assim, resolvi pesquisar alguns títulos que possam ter alguma semelhança, por mais tênue que seja, com a história do Clube dos Perdedores e sua batalha contra a Coisa.

Vamos à lista:

Nosferatu, de Joe Hill

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Publicado originalmente em 2013, Nosferatu possui algumas semelhanças com It: A Coisa. O fato de as vítimas escolhidas serem crianças e um adulto que escapou das garras do “monstro” na infância ter que enfrenta-lo novamente são alguns exemplos. Ainda mais, há inúmeras referências à obra de King na história. Além de tudo isso, claro, o livro foi escrito pelo filho do criador de Pennywise e cia.

Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem.
Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor.
E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca… e acaba encontrando Charlie.
Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic.
Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.

“Em Nosferatu, Joel Hill nos entrega uma narrativa ágil e perturbadora, no melhor estilo horror sobrenatural, que segura habilmente o leitor do início ao fim. A capacidade criativa de Hill é surpreendente. O enredo original e enxuto desenvolve-se sem obviedades e encerra-se de maneira satisfatória, sem faltas ou excessos. Uma fantasia sombria impossível de largar e de não sentir medo. Nosferatu é, sem dúvida, uma bela homenagem aos clássicos do horror.”INtocados

O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman

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Também publicado originalmente em 2013, o premiado O Oceano no Fim do Caminho apresenta um homem retornando à sua cidade natal depois de quarenta anos e relembrando um evento sobrenatural acontecido durante a sua infância. Precisa dizer mais? Como se isso não fosse suficiente para coloca-lo nessa lista, o livro de Gaiman ainda aborda a separação entre infância e vida adulta.

Foi há quarenta anos, agora ele lembra muito bem. Quando os tempos ficaram difíceis e os pais decidiram que o quarto do alto da escada, que antes era dele, passaria a receber hóspedes. Ele só tinha sete anos.
Um dos inquilinos foi o minerador de opala. O homem que certa noite roubou o carro da família e, ali dentro, parado num caminho deserto, cometeu suicídio. O homem cujo ato desesperado despertou forças que jamais deveriam ter sido perturbadas. Forças que não são deste mundo. Um horror primordial, sem controle, que foi libertado e passou a tomar os sonhos e a realidade das pessoas, inclusive os do menino.
Ele sabia que os adultos não conseguiriam — e não deveriam — compreender os eventos que se desdobravam tão perto de casa. Sua família, ingenuamente envolvida e usada na batalha, estava em perigo, e somente o menino era capaz de perceber isso. A responsabilidade inescapável de defender seus entes queridos fez com que ele recorresse à única salvação possível: as três mulheres que moravam no fim do caminho. O lugar onde ele viu seu primeiro oceano.

“O livro é acima de tudo sobre escapismo, desamparo e família. O Oceano no Fim do Caminho é sobre a infância e sobre a visão que um garoto de sete anos tem sobre o mundo ao seu redor, quando tudo parece maior do que ele. É um romance adulto belo, tocante ao extremo em suas páginas finais. Apesar de pequeno, ele faz jus ao seu título, comportando um vasto oceano em cada folha.”INtocados

O Menino que Desenhava Monstros, de Keith Donohue

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É muito provável que esse seja o livro da lista com menos elementos semelhantes a It: A Coisa. No entanto, ainda assim é possível encontrar alguns aspectos em comum, como um fenômeno sobrenatural que os adultos não conseguem entender. Além disso, o protagonista de O Menino que Desenhava Monstros, Jack Peter, também é residente do Maine como Bill Gago e sua turma.

Jack Peter é um garoto de 10 anos com síndrome de Asperger que quase se afogou no mar três anos antes. Desde então, ele só sai de casa para ir ao médico. Jack está convencido de que há de monstros embaixo de sua cama e à espreita em cada canto.
Certo dia, acaba agredindo a mãe sem querer, ao achar que ela era um dos monstros que habitavam seus sonhos. Ela, por sua vez, sente cada vez mais medo do filho e tenta buscar ajuda, mas o marido acha que é só uma fase e que isso tudo vai passar. Não demora muito até que o pai de Jack também comece a ver coisas estranhas. Uma aparição que surge onde quer que ele olhe. Sua esposa passa a ouvir sons que vêm do oceano e parecem forçar a entrada de sua casa. Enquanto as pessoas ao redor de Jack são assombradas pelo que acham que estão vendo, os monstros que Jack desenha em seu caderno começam a se tornar reais e podem estar relacionados a grandes tragédias que ocorreram na região. Padres são chamados, histórias são contadas, janelas batem. E os monstros parecem se aproximar cada vez mais.
Na superfície, O Menino que Desenhava Monstros é uma história sobre pais fazendo o melhor para criar um filho com certo grau de autismo, mas é também uma história sobre fantasmas, monstros, mistérios e um passado ainda mais assustador. O romance de Keith Donohue é um thriller psicológico que mistura fantasia e realidade para surpreender o leitor do início ao fim ao evocar o clima das histórias de terror japonesas.

O Menino Que Desenhava Monstros explora o medo. O que provoca terror em mim nem sempre pode não ser tão assustador para você, mas todos somos tocados pelos horrores do inexplicável. Quando coisas estranhas começam a acontecer e ninguém mais sabe o que é imaginação, alucinação, pesadelos ou realidade, o leitor é levado para o universo de Jack Peter – se em alguns momentos pode parecer confuso para a gente, imagina para o personagem.”Blog do Ben Oliveira

Deixa Ela Entrar, de John Ajvide Lindqvist

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Bestseller adaptado em duas produções para o cinema, uma sueca e outra americana, Deixa Ela Entrar é ambientado na década de 80 e aborda o mito do vampiro ao mesmo tempo que lida com temas como bullying nas escolas, ansiedade, isolamento social, pedofilia, assassinato, entre outros.

Trata-se de uma das mais perturbadoras ficções de terror dos últimos tempos. Grande parte de seu impacto se deve à originalidade com que Lindqvist aborda a seara do vampirismo. Vários elementos dessa literatura estão presentes – a começar pelo título, que faz referência à crendice de que vampiros só podem entrar em lugares para os quais são convidados –, porém ambientados no mais cru realismo.
No enredo, Oskar, um garoto de doze anos, vive com a mãe no subúrbio de Estocolmo, na década de 1980. Solitário e alvo de bullying na escola, passa o tempo lendo e colecionando notícias sobre serial killers e planejando se vingar de seus perseguidores. No entanto sua rotina é alterada quando uma garota de doze anos, Eli, se muda para o apartamento ao lado. Uma profunda identificação aproxima o menino a Eli, ao mesmo tempo em que a vizinhança passa a ser assolada por uma onda de mortes misteriosas.
Muito mais que sustos, o livro de Lindqvist desperta os horrores de quem tem de passar da infância para a maturidade em circunstâncias adversas e em um cenário opressivo. Com habilidade, o autor recorre a um registro naturalista, temperado de referências à cultura pop, para desenvolver uma história em que os medos são despertados tanto por elementos sobrenaturais quanto pela realidade concreta.

“Protagonizado por uma criança, Deixa ela entrar é um livro pesado, indigesto, que aborda o abuso infantil sem firulas. Não é algo que indicaria aos sensíveis, mas se você prefere um terror mais cru, pode ir sem medo de ser feliz.”Leitor Cabuloso

As Sobreviventes, de Riley Sager

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Thriller elogiado pelo próprio Stephen King, As Sobreviventes foi publicado internacionalmente em julho desse ano. Apenas um mês depois, o livro chegou ao Brasil pela Gutenberg. Assim como It, o livro de Sager retrata como a mente humana vai até os seus limites para esquecer os traumas do passado, e as consequências que podem incorrer quando esse passado volta a bater na sua porta.

Há dez anos, a estudante universitária Quincy Carpenter viajou com seus melhores amigos e retornou sozinha, foi a única sobrevivente de um crime terrível. Num piscar de olhos, ela se viu pertencendo a um grupo do qual ninguém quer fazer parte: um grupo de garotas sobreviventes com histórias similares. Lisa, que perdeu nove amigas esfaqueadas na universidade; Sam, que enfrentou um assassino no hotel onde trabalhava; e agora Quincy, que correu sangrando pelos bosques para escapar do homem a quem ela se refere apenas como Ele. As três jovens se esforçam para afastar seus pesadelos, e, com isso, permanecem longe uma da outra; apesar das tentativas da mídia, elas nunca se encontraram.

Um bloqueio na memória de Quincy não permite que ela se lembre dos acontecimentos daquela noite, e por causa disso a jovem seguiu em frente: é uma blogueira culinária de sucesso, tem um namorado amoroso e mantém uma forte amizade com Coop, o policial que salvou sua vida naquela noite. Até que um dia, Lisa, a primeira sobrevivente, é encontrada morta na banheira de sua casa com os pulsos cortados; e Sam, a outra garota, surge na porta de Quincy determinada a fazê-la reviver o passado, o que provocará consequências cada vez mais assustadoras. O que Sam realmente procura na história de vida de Quincy?

Quando novos detalhes sobre a morte de Lisa vem à tona, Quincy percebe que precisa se lembrar do que aconteceu naquela noite traumática se quiser as respostas para as verdades e mentiras de Sam, esquivar-se da polícia e dos repórteres insaciáveis. Mas recuperar a memória pode revelar muito mais do que ela gostaria.

As Sobreviventes foi uma excelente leitura, sobretudo por ter me prendido a ela tão completamente e por ter me feito devorar o livro em poucas horas, não desejando largá-lo nem por um segundo; nos momentos que precisei parar de ler, me peguei desejando retomá-lo o quanto antes para, junto de Quincy, descobrir o terror que ela vivenciou há dez anos.” – Minha Vida Literária

 

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