Biografia: Jane Austen

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Jane Austen nasceu na casa paroquial de Steventon, uma pequena vila no nordeste de Hampshire, em 16 de dezembro de 1775. Ela era a sétima criança e segunda filha do pároco, o reverendo George Austen, e sua esposa, Cassandra Leigh. Dois de seus irmãos eram membros do clero, outro herdou valiosas propriedades de um primo distante em Kent e Hampshire, e o dois mais novos se tornaram Almirantes na Marinha Real; sua única irmã, como a própria Jane, nunca casou.

A casa paroquial de Steventon foi a casa de Jane Austen pelos seus primeiros 25 anos de vida. De lá, viajou para Kent, se hospedando na mansão de seu irmão Edward em Godmersham Park, perto de Canterbury. Ela também passou alguns pequenos períodos em Bath, onde sua tia e tio moravam. Durante a década iniciada em 1790, escreveu os primeiros rascunhos de Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito, e A Abadia de Northanger. Suas viagens para Kent e Bath ajudaram a entender a essência local do cenário desses dois últimos livros.

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Em 1801, o reverendo George Austen se aposentou. Ele, sua esposa, e suas duas filhas, Jane e Cassandra, deixaram Steventon e fixaram residência em Bath.

Os Austens alugaram o número 4 da Sydney Place, de 1801 a 1804, e então passaram alguns meses no número 3 do Green Park Buildings East, onde o sr. Austen morreu, em 1805. Enquanto os Austens moraram em Bath, eles tiravam férias em resorts à beira-mar no West Country, incluindo Lyme Regis em Dorset – isso deu à Jane o pano de fundo para Persuasão.

Em 1806, a Sra. Austen e suas filhas mudaram para Southampton, e em 1809 para Chawton, onde tinham um chalé em uma das propriedades de Edward, em Hampshire. Lá, Jane estava livre para se dedicar à escrita. Entre 1810 e 1817, ela revisou os três romances iniciais e também escreveu outros três – Mansfield Park, Emma, e Persuasão.

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Jane ficou doente em 1816 – possivelmente de Doença de Addison – e, no verão de 1817, a família a levou para tratamento médico em Winchester. No entanto, o médico nada pôde fazer, e ela morreu em paz, no dia 18 de julho de 1817, nos seus aposentos no número 8 da College Street.

Principais obras publicadas no Brasil:

Razão e Sensibilidade (1811)

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“Este foi o primeiro romance de Jane Austen. Publicado em 1811, logo recebeu reconhecimento do público. Razão e Sensibilidade é um livro em que as irmãs Elinor e Marianne representam uma dualidade, de maneira alternada, ao longo da narrativa. As expectativas vividas pelas duas com a perda, o amor e a esperança, nos aponta para um excelente panorama da vida das mulheres de sua época. As irmãs vivem em uma sociedade rígida, e ambas tentam sobreviver a esse mundo cheio de regras e injustiças. Tanto a sensível e sensata Elinor como a romântica e impetuosa Marianne se veem fadadas a aceitar um destino infeliz por não possuírem fortuna nem influências, obrigadas a viver em um mundo dominado por dinheiro e interesse. As duas personagens passam por um processo intenso de aprendizagem, mesclando a razão com os sentimentos em busca por um final feliz.”

Orgulho e Preconceito (1813)

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“Jane Austen inicia Orgulho e Preconceito com uma das mais célebres frases da literatura inglesa: “É uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro e muito rico deve precisar de uma esposa”. O livro é o mais famoso da escritora — traz uma série de personagens inesquecíveis e um enredo memorável. Austen nos apresenta Elizabeth Bennet como heroína irresistível e seu pretendente aristocrático, o sr. Darcy. O enredo aborda múltiplos aspectos: o orgulho encontra o preconceito e a ascendência social; equívocos e julgamentos antecipados conduzem alguns personagens ao sofrimento e ao escândalo. Porém, muitos desses conflitos conduzem os personagens ao autoconhecimento e ao amor. O livro pode ser considerado a obra-prima da escritora que, com sua refinada ironia, equilibra comédia e seriedade a uma observação meticulosa das atitudes humanas.”

Mansfield Park (1814)

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“Jane Austen é a maior romancista da literatura inglesa. Em seus romances, criou personagens completamente humanos que experimentam a solidão, o amor, a frustração, a humilhação, o egoísmo, o ciúme e a confusão. Em Mansfield Park, Fanny Price mora de favor na casa dos tios ricos, para onde foi levada aos 12 anos, e aparenta ser uma menina doce e diz “sim” a todos os caprichos de seus tios e primos. Austen, no entanto, mostra mais uma vez porque merece as honras que recebeu: apesar da aparência frágil, Fanny concentra em si diversos conflitos da alma humana, mostrando-se uma personagem forte e profunda que certamente cativará leitores de diversas idades e contextos sociais. Recheado de dissimulação, Mansfield Park revela a sociedade inglesa do século XIX, com seus costumes peculiares e muitas vezes aprisionadores.”

Emma (1815)

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“Ao comentar sobre Emma Woodhouse, Jane Austen brincou com seus leitores ao dizer que Emma é o tipo de “heroína que ninguém além dela própria iria gostar muito”. Entretanto, ela é irresistível, dona de uma personalidade singular e capaz de despertar no leitor o amor e ódio ao mesmo tempo. Emma é profunda, talvez por isso seja a única personagem dos seis livros publicados de Austen, cujo próprio nome é também o título da obra. O livro é um ótimo exemplo de sagacidade e ironia, típicos da escrita de Jane Austen, e é considerado por muitos seu romance mais elaborado. A habilidade que a escritora teve em demonstrar os diversos aspectos da natureza humana de forma bastante realista e afetuosa eleva esta obra a uma sátira brilhante.”

A Abadia de Northanger (1818, póstumo)

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“Escrito ainda na juventude de Jane Austen e publicado postumamente, em 1818, “A Abadia de Northanger” é, sem dúvida, um dos romances mais elaborados da época – uma comédia satírica que aborda questões humanas de maneira sutil, tendo como pano de fundo a cidade de Bath. O enredo gira em torno de Catherine Morland, que deixa a tranquila e, por vezes, tediosa vida na zona rural da Inglaterra para passar uma temporada na agitada e sofisticada Bath do final do século XVIII. Catherine é uma jovem ingênua, cheia de energia e leitora voraz de romances góticos. O livro faz uma espécie de paródia a esses romances, especialmente os escritos por Ann Radcliffe. Jane Austen faz um eloquente contraste entre realidade e imaginação, entre uma vida pacata e as situações sinistras e excitantes que os personagens de um romance podem viver.”

Persuasão (1818, póstumo)

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Persuasão foi o último trabalho completo de Jane Austen. O livro conta a história de Anne Elliot, uma moça que “fora obrigada a ser prudente na juventude, e aprendera o romantismo à medida que envelhecia: a sequela natural de um começo antinatural”. Anne é uma das heroínas mais tranquilas e reservadas de Austen, mas, ao mesmo tempo, é uma das mais fortes e abertas às mudanças. O livro enaltece a constância do amor numa época turbulenta na história da Inglaterra: as guerras napoleônicas. Escrito nesse período, o romance descreve como uma mulher pode permanecer fiel ao seu passado e, ainda assim, pensar em um futuro feliz. Austen expõe de maneira sutil como uma mulher pode passar por cima das convenções sociais e das restrições femininas em busca da felicidade.”

Lady Susan (1871, póstumo)

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Lady Susan, o romance epistolar de Jane Austen, nunca recebeu muita atenção dos leitores em comparação com os seus outros seis romances maiores, principalmente por ser uma obra curta. Os estudiosos de sua obra estimam que tenha sido escrito entre os anos de 1793 e 1794, quando a jovem escritora encontrava-se em seus últimos anos de adolescência e representa um hiato na totalidade da obra de Jane Austen por se caracterizar como um estudo sobre uma mulher adulta, que usa sua inteligência e charme para manipular, trair e abusar de suas vítimas, sejam elas, amantes, amigos ou os membros de sua própria família.”

Amor e Amizade & Outras Histórias (1793, póstumo)

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“Este volume traz três desses textos ficcionais de juventude, todos na forma de narrativas epistolares – contadas através de cartas. A novela “Amor e amizade”, de 1790, mostra a troca de correspondência entre Laura, uma mulher madura, e Marianne, a jovem filha de uma amiga. Laura relata as desventuras amorosas da sua mocidade, à guisa de alerta. A história inclui amores proibidos e fugas da família, além de muitos – e hilários – desmaios. “As três irmãs” e “Uma coleção de cartas”, escritas entre 1791 e 1792, dão novas amostras do estilo cômico e do gênio que se tornariam marca registrada da grande autora.”

Jane Austen: Uma Vida Revelada – Catherine Reef

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“Uma biografia contundente, perspicaz e divertida como uma legítima obra de Jane Austen, a vida revelada da escritora mais importante do século XIX. Embora seja uma das escritoras mais amadas de todos os tempos, JANE AUSTEN ainda é uma figura de grande mistério. Seria ela a gentil e doce tia Jane? Ou uma moça de língua afiada, ardilosa, como sugere sua escrita? Como passava seus dias? E, se ela nunca alcançou o mesmo final feliz de suas personagens, teria ao menos encontrado o amor verdadeiro? Ambientando sua narrativa no contexto da aristocracia inglesa do século XIX, Catherine Reef extrai informações de cartas escritas por Austen para conceber um relato íntimo da vida e dos sentimentos da escritora. A narrativa inclui detalhes dos seis fascinantes romances publicados pela escritora.”

Tradução do texto da Jane Austen Society:

http://www.janeaustensoci.freeuk.com/pages/biography.htm

2 pensamentos

  1. Oiii.
    Eu quero ler todos os livros e histórias de Jane Austen pois apesar de não ter sido uma fã incurável de Orgulho e Preconceito eu gostei bastante da forma com o qual foi conduzida a história. Amei o post.
    Beijos.

    1. Só li Orgulho e Preconceito e mais de uma vez. O problema foi que gostei tanto que não consigo ler os outros porque os personagens não me cativam.

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