10 livros premiados de literatura fantástica publicados no Brasil em 2017

Todos os anos diversas associações de escritores, críticos especializados e até mesmo leitores se reúnem para decidir quais foram os melhores livros publicados naquele último ano. Nomes com Hugo, Nebula ou Locus são tão conhecidos para os fãs de literatura  fantástica quanto o Oscar, Emmy ou Grammy para o público geral. Ser escolhido como o vencedor de um desses prêmios (ou mesmo de outros tantos) faz muita diferença para a carreira de um autor, além de ser um ótimo atestado de qualidade. Por isso, criamos essa lista com 10 títulos premiados publicados esse ano no Brasil, entre clássicos e sucessos recentes que tornarão a sua estante ainda mais vencedora.

Todos os Pássaros no Céu, de Charlie Jane Anders

Nebula Award for Best Novel (2016), Locus Award for Best Fantasy Novel (2017)

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“Uma grandiosa história de amor, fantasia e ficção científica.

Desde pequenos, Patrícia e Laurence tinham formas diferentes – e às vezes opostas – de enxergar o mundo. Patrícia podia falar com animais e se transformar em pássaros. Laurence construía supercomputadores e máquinas do tempo de dois segundos. Enquanto tentavam sobreviver ao pesadelo interminável da escola, seu isolamento se transformou em uma amizade cautelosa. Até que circunstâncias misteriosas os separam para sempre. Ou assim eles pensavam.

Dez anos depois, ambos se reencontram em São Francisco. O mundo está prestes a implodir. Patrícia é formada em uma secreta escola de magia, e Laurence é um cientista tentando salvar a humanidade. A medida que os dois se reconectam, se veem levados a lados opostos em uma guerra entre ciência e magia. E o destino do mundo depende dos dois. Provavelmente.

Uma profunda, mágica e divertida análise sobre a vida, o amor e o apocalipse.”

“Mesmo com todos os elementos que formam esta história, Todos os Pássaros no Céu é uma história de amor. Algo tão antigo quanto Romeu e Julieta ou Tristão e Izolda. No entanto, Charlie Jane Anders consegue transformar uma história clássica em algo atual e interessante mesclando elementos de cultura pop e a magia das velhas narrativas fantásticas.” – Ficções Humanas

Underground Railroad: Os Caminhos para a Liberdade, de Colson Whitehead

Pulitzer Prize for Fiction (2017), National Book Award for Fiction (2016), Arthur C. Clarke Award (2017), Goodreads Choice Award for Historical Fiction (2016), entre outros.

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“Do vencedor do Man Book Booker Prize e autor best-seller do The New York Times, chega às livrarias o aclamado “The Underground Railroad: Os Caminhos para a Liberdade“.

Cora é uma jovem escrava em uma plantação de algodão na Georgia. A vida é infernal para todos os escravos, mas especialmente terrível para Cora. Uma pária até entre outros africanos, ela está chegando à maturidade, que a tornará vítima de dores ainda maiores. Quando um recém-chegado da Virgínia, Caesar, revela uma rota de fuga chamada, a ferrovia subterrânea, ambos decidem escapar de seus algozes. Mas nada sai como planejado. Cora e Caesar sabem que estão sendo caçados: a qualquer momento podem ser levados de volta a uma existência terrível sem liberdade.”

“Em síntese, The Underground Railroad não é um livro para buscarmos inspiradoras histórias de finais felizes. É uma obra de recomeços sem fim em que somente a sede de liberdade prevalece. Mas é uma liberdade que não vem fácil porque mesmo sendo ficção, o livro não foge da crua realidade da época.” – Leitor Compulsivo

Mestre das Chamas, de Joe Hill

Locus Award for Best Horror Novel (2017), Goodreads Choice Award for Horror (2016)

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“Ninguém sabe exatamente como nem onde começou. Uma pandemia global de combustão espontânea está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas.

Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto. O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus. 

Em meio a esse filme de terror, a enfermeira Harper Grayson é abandonada pelo marido quando começa a apresentar os sintomas da doença e precisa fazer de tudo para proteger a si mesma e ao filho que espera. Agora, a única pessoa que poderá salvá-la é o Bombeiro – um misterioso estranho capaz de controlar as chamas e que caminha pelas ruas de New Hampshire como um anjo da vingança.

Do aclamado autor de A estrada da noite , este livro é um retrato indelével de um mundo em colapso, uma análise sobre o efeito imprevisível do medo e as escolhas desesperadas que somos capazes de fazer para sobreviver.”

Mestre das Chamas eleva Hill ao grupo dos grandes contadores de histórias, ao passo que o retira da sombra gigantesca do pai. Mestre das Chamas é sobre até onde a natureza humana é capaz de ir quando submetida a condições caóticas. É um ensaio nu e cru sobre o efeito do medo e de até onde somos capazes de ir para sobreviver. Substancial, impactante e dolorosamente possível.” – INtocados

Os Despossuídos, de Ursula K. Le Guin

Hugo Award for Best Novel (1975), Nebula Award for Best Novel (1974), Prometheus Hall of Fame Award (1993), Locus Award for Best Novel (1975), Jupiter Award for Best Novel (1975)

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Os Despossuídos, de Ursula K. Le Guin, é um romance de ficção científica ambientado no mesmo universo que A Mão Esquerda da Escuridão. O livro ganhou o prêmio Nebula de melhor romance em 1974, além do Hugo e do Locus em 1975. A obra lida com temas fundamentais a sua época, como o capitalismo, o comunismo russo e o anarquismo, além dos conceitos de individual e coletivo.

O romance se passa em dois planetas-gêmeos: Uras e Anarres. O primeiro é um mundo dividido em vários estados e dominado pelos dois maiores, que obviamente são rivais. Numa alusão clara aos Estados Unidos (representados por A-Io) e à União Soviética (representada por Thu), um dos estados possui uma economia forte e uma sociedade patriarcal, enquanto o outro se posiciona como proletário e deseja imprimir seu modelo em todo o planeta. Além disso, há um terceiro país, Benbili, que, embora subdesenvolvido, é de extrema importância e se torna palco de uma revolução apoiada por Thu. Com medo de perder sua influência ali, A-Io invade o país, gerando uma guerra disfarçada entre os dois principais blocos.

Já o planeta Anarres vive uma situação bem diferente: sua política anarquista, que representa uma terceira via à crise planetária de Urra, cria uma ilusão de sociedade perfeita. Tal ilusão só é quebrada quando um jovem e brilhante físico, Shevek, descobre a “Teoria da Simultaneidade”, que pode acabar com o isolamento do planeta, assim como favorecer as guerras de seu gêmeo.”

“O melhor de Os Despossuídos é o fato de a autora conseguir escrever uma espécie de utopia crítica. Aqui o protagonista não vive no mundo comum e vai conhecer o mundo utópico, mas o inverso, ele já vive no mundo diferente (que não tem nada de utópico, mas possui qualidades e defeitos) e vem conhecer o mundo que é comum para os leitores. Dessa forma, Le Guin consegue mais uma vez fazer uma crítica social bastante pungente e atual, pois essa temática de tipos de governo e economia nunca deixam de ser problematizados em nosso mundo.” – INtocados

Enraízados, de Naomi Novik

Nebula Award for Best Novel (2015), Mythopoeic Fantasy Award for Adult Literature (2016)

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“Autora da aclamada série Temeraire, bestseller do The New York Times, Naomi Novik introduz um mundo novo e ousado, com raízes fincadas no folclore eslavo, em Enraizados, indicado ao Hugo e vencedor do Nebula, entre outros prêmios literários. Na trama, Agnieszka e Kasia são melhores amigas e levam uma vida tranquila no vale. Mas essa tranquilidade cobra seu preço. Afinal, às margens do vilarejo onde moram fica a temida Floresta corrompida, cheia de um poder maligno desconhecido, e para impedir que ele avance para além das fronteiras da Floresta, o povo do vale conta somente com a proteção de um mago frio e ambicioso, que a cada dez anos exige que uma jovem do vilarejo seja entregue para servi-lo. Enquanto a próxima escolha se aproxima, Agnieska teme por sua bela, graciosa e corajosa amiga. Mas pode ser que ela esteja errada. Porque, quando o Dragão chegar, não é Kasia que ele vai escolher.”

Enraízados é um belo romance, com uma trama bem pensada e personagens bem construídos, que deve agradar especialmente ao público YA.” – Sem Serifa

O Conto da Aia, de Margaret Atwood

Arthur C. Clarke Award for Best Novel (1987), Audie Award for Fiction (2013), Los Angeles Times Book Prize for Fiction (1986)

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“Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.”

“A escrita de Atwood trai seu treinamento inicial como poeta. Cada palavra, cada frase contém um soco. No caso de O Conto da Aia, isso serve bem. Os leitores não podem ignorar a mensagem. Nós entendemos que direitos e liberdades não são eternos. Uma inundação de detalhe sensual nos transporta para o mundo de Gilead – um mundo que, assim como o nosso, está encharcado com a banalidade do mal.” – Huffpost Brasil

Duna, de Frank Herbert

Hugo Award for Best Novel (1966), Nebula Award for Best Novel (1965)

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“A vida do jovem Paul Atreides está prestes a mudar radicalmente. Após a visita de uma mulher misteriosa, ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o ‘Planeta Deserto’. Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos. Ecos de profecias ancestrais também o cercam entre os nativos de Arrakis. Seria ele o eleito que tornaria viáveis seus sonhos e planos ocultos?”

“O que separa a ficção científica da fantasia? O quão tênue é a linha entre as duas? Essa diferenciação é sempre clara? Enquanto as duas primeiras perguntas demandam uma reflexão um pouco maior, a terceira pode ser respondida rapidamente com um “não”, ou pelo menos poderia, se você já leu Duna, de Frank Herbert. Bebendo das duas principais fontes da literatura fantástica, a obra traz a conhecida jornada do herói em meio a um universo selvagem e tecnológico.” – INtocados

O Livro do Juízo Final – Connie Willis

Hugo Award for Best Novel (1993), Nebula Award for Best Novel (1992), Locus Award for Best Science Fiction Novel.

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“Para Kivrin, que se prepara para um estudo de campo em uma das eras mais mortais da história humana, viajar no tempo é tão simples quanto tomar uma vacina — desde que seja uma vacina contra as doenças encontradas na Idade Média. Já para seus professores, isso significa cálculos complexos e um monitoramento constante para garantir o reencontro. No entanto, uma crise de proporções inimagináveis pode colocar o futuro de Kivrin, e de todo o Reino Unido, em perigo. Seu professor mais próximo, o sr. Dunworthy, fará de tudo para resgatá-la. Mas até que ponto é possível desafiar a morte? De 1300 a 2050, Connie Willis faz um trabalho magnífico na construção de personagens complexos, densos e pelos quais é impossível não sentir empatia. O livro do juízo final é ao mesmo tempo uma incrível reconstrução histórica e uma aula sobre o poder da amizade.”

O Livro do Juízo Final, no fim das contas, funciona como uma parábola de Natal, que atua como um antídoto para o sentimentalismo, alegria e júbilo artificial pelos quais a época é conhecida. Willis se concentra nas dificuldades, nos momentos em que a natureza desse período é destacada através do sacrifício pessoal, seu verdadeiro espírito revelado como uma luz tênue e cintilante que mal se sustenta contra a escuridão que se aproxima. Uma luz muitas vezes extinguida facilmente e, portanto, ainda mais dignificada pelo amparo que sua breve existência fornece.” – Best Science Fiction Books

Um Estranho Numa Terra Estranha – Robert A. Heinlein

Hugo Award for Best Novel (1962), Prometheus Hall of Fame Award (1987)

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Um Estranho Numa Terra Estranha traz a história de Valentine Michael Smith, um humano criado em Marte. Ao ser trazido à Terra, ele entra em contato pela primeira vez com seus iguais e se esforça para entender os costumes, a moral e as regras sociais que definem os estranhos terráqueos. Em meio a diversas barreiras, o homem de Marte se esforça para grokar (termo em marciano, criado pelo autor, com diversos significados, como: beber, sentir, aprender e fazer parte) esse mundo tão alienígena a ele, enquanto procura explicar à humanidade seus próprios conceitos fundamentais, bem como suas concepções de amor e respeito.

No romance, o leitor irá se deparar com os mais diversos tópicos de discussão: desde o amor livre, passando por críticas ao consumismo e até às instituições cristãs. A obra é vista como uma afronta ao moralismo e à cultura da época e, graças à sua mensagem de liberdade, tornou-se um manifesto do movimento hippie da década de 1970. É quase inevitável não fazer uma comparação com Tropas Estelares, também escrito por Heinlein. Enquanto Tropas, lançado em 1959, apresenta um viés mais militarista e conservador, Um Estranho Numa Terra Estranha, lançado dois anos depois, chegou ao público repleto de críticas sociais, hedonismo, e uma clara insatisfação com a cultura de sua época. Essas duas obras totalmente distintas, lançadas em um curto período de tempo, demonstram a versatilidade e a genialidade de Heinlein, que, ao lado de Arthur C. Clarke e Isaac Asimov, é considerado um dos maiores autores da ficção científica.”

“Para mim, Um Estranho Numa Terra Estranha reforçou de forma ainda mais veemente algumas questões que já vinha me fazendo quanto do nosso comportamento e ações como humanos são construídos socialmente. Através de uma perspectiva alienígena, perceber o quanto ações consideradas normais e anormais, nada mais são do que uma perpetuação do status quo no qual fomos criados.” – INtocados

Mulheres Perigosas – George R.R. Martin e Gardner Dozois

World Fantasy Award for Best Anthology (2014)

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“George R. R. Martin e Gardner Dozois apresentam as mulheres mais perigosas dos livros de fantasia.

Editada por George R. R. Martin e Gardner Dozois, esta antologia traz 21 histórias inéditas sobre magia, ciúme, ambição, traição e rebeldia para Joana D’Arc nenhuma botar defeito. Esqueça o estereótipo de mulheres vítimas e heróis másculos enfrentando sozinhos qualquer perigo. Aqui você irá encontrar mulheres guerreiras, intrépidas pilotas, destemidas astronautas, perversas assassinas, heroínas formidáveis, sedutoras incorrigíveis e muito mais. Assinado por monstros da ficção científica e fantástica como Brandon Sanderson, (“Mistborn”), Megan Lindholm (“A Saga do Assassino”, sob o pseudônimo Robin Hobb), Melinda M. Snodgrass, Caroline Spector (“Wild Cards”) e novos nomes da literatura jovem como Megan Abbott (A febre) e Diana Gabaldon (“Outlander”), o volume conta ainda com uma novela do próprio Martin sobre A dança dos dragões, a guerra civil que assolou Westeros dois séculos antes dos acontecimentos de A guerra dos tronos.

Mulheres Perigosas é um livro simplesmente imperdível, daqueles que você não consegue parar de ler. Prepare-se para todo o tipo de perigo e para perder o fôlego com essas mulheres mais que poderosas.”

“O próprio conceito de mulher foi uma coisa bem trabalhada no livro. Em vez de focar numa faixa etária, os autores primaram pela experiência de vida. Tem criança, tem adulta, tem idosa. Aqui, o ser mulher tem muito mais a ver com um estado de espírito, com uma vivência (muitas vezes traumática) que transforma. E é bacana demais acompanhar esses diferentes olhares sobre a realidade humana. A gente precisa da pluralidade de Mulheres Perigosas. A gente precisa de cada uma delas.”Bookworm Scientist

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