7 livros para entender o mundo contemporâneo

 

O lema do tempo presente parece remeter àquele velho disco dos Titãs: tudo ao mesmo tempo agora. Parece que é nossa realidade não é mesmo coisa para iniciantes. Por isso destacamos aqui sete livros – diversos em gênero, estilo, temática, ideologia – que podem nos guiar a algum entendimento doque tem se passado à nossa volta nessa tão intensa segunda década do século 21.


Todos Contra Todos
, de Leandro Karnal

CAPA Todos contra todos

O historiador e filósofo Leandro Karnal escancara verdades em seu mais recente livro. Eis a mais dura delas: ao contrário do que diz o senso comum, o brasileiro não é (e jamais foi) um povo pacífico. E, para ele, a polarização extremas das discussões nos últimos anos deixa isso mais claro que nunca. Uma obra clara e ponderada como poucas. Repleto de frases marcantes, traz pedrada atrás de pedrada. Do tipo: “O ódio transfere a você tudo o que é de ruim. Você só pode ser petista por ser um ladrão. Você só pode ser PSDB porque é de uma elite branca, insensível e fascista. Ou então: As “pessoas de bem” são capazes de matar, agredir e cercear em nome da virtude. O mal com fins e metas virtuosas talvez seja o pior de todos, porque é mais difícil de combater.” E por aí vai. Imperdível!

Os Robôs Vão Roubar Seu Trabalho, Mas Tudo Bem, de Federico Pistono

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“Você está prestes a se tornar obsoleto. Você acha que é especial, único, e que é impossível substituí-lo naquilo que está fazendo. Você está errado. Enquanto falamos, milhões de algoritmos criados por cientistas da computação estão funcionando freneticamente em servidores de todo o mundo com um único propósito: fazer o que os humanos podem fazer, mas melhor.” Este é o argumento para um fenômeno chamado “desemprego tecnológico” que assombra a sociedade moderna. Mas seria essa uma ameaça real ou apenas uma fantasia futurística? O que acontecerá conosco nos próximos anos e o que podemos fazer para evitar uma crise catastrófica nas relações de trabalho? O livro de Federico Pistono, que rapidamente se tornou um sucesso internacional, explora o impacto dos avanços tecnológicos em nossa vida, o que significa ser feliz e dá sugestões de como evitar um possível colapso total do sistema.

Como Curar um Fanático, de Amós Oz

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O romancista Amós Oz cresceu na Jerusalém dividida pela guerra, testemunhando em primeira mão as consequências perniciosas do fanatismo. Em dois ensaios concisos e poderosos, o autor oferece uma visão única sobre a natureza do extremismo e propõe uma aproximação respeitosa e ponderada para solucionar o conflito entre Israel e Palestina. A brilhante clareza desses ensaios, ao lado do senso de humor único do autor para iluminar questões graves, confere novo fôlego a esse antigo debate. Oz argumenta que o conflito entre Israel e Palestina não é uma guerra entre religiões, culturas ou mesmo tradições, mas, acima de tudo, uma disputa por território. Esclarecedor e inspirado, é uma voz de sanidade em meio à cacofonia das relações entre Israel e Palestina – voz que ninguém pode se dar ao luxo de ignorar.

Era Uma Vez um Sonho, de J.D. Vance

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J.D Vance transforma sua experiência pessoal em uma narrativa emocionante sobre a degradação da classe trabalhadora branca dos Estados Unidos. E, como o modelo americano de vida e de sociedade impregnou também boa parte dos países ocidentais, podemos encontrar histórias pelo mundo, inclusive no Brasil, que falam de tentativas de ascensão e integração social muito semelhantes – e igualmente frustradas e dolorosas. Por abordar com profundidade as condições de vida e crenças políticas da fatia da população apontada como responsável pela eleição de Donald Trump, a obra tem sido indicado como ferramenta fundamental para ajudar a entender as condições que culminaram na chegada do candidato republicano à presidência.

A Grande Saída, de Angus Deaton

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Angus Deaton afirma que vivemos melhor hoje do que em qualquer outro período da história. As pessoas são mais saudáveis, mais ricas e a expectativa de vida continua a aumentar. Paradoxalmente, o fato de tantos indivíduos terem conseguido escapar da pobreza também gerou desigualdades; e a disparidade entre países desenvolvidos e em desenvolvimento se estreitou, mas não desapareceu. O autor, um dos maiores especialistas em estudos sobre pobreza, recua 250 anos para traçar a impressionante história de como diversas regiões do mundo vivenciaram um progresso significativo e, assim, abriram abismos que levaram ao cenário extremamente desigual de hoje.

Na Minha Pele, de Lázaro Ramos

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Movido pelo desejo de viver num mundo em que a pluralidade cultural, racial, étnica e social seja vista como um valor positivo, e não uma ameaça, Lázaro Ramos divide com o leitor suas reflexões sobre temas como ações afirmativas, gênero, família, empoderamento, afetividade e discriminação. Ainda que não seja uma biografia, em Na minha pele Lázaro compartilha episódios íntimos e também suas dúvidas, descobertas e conquistas. Ao rejeitar qualquer tipo de segregação ou radicalismos, Lázaro nos fala da importância do diálogo. Não se pode abraçar a diferença pela diferença, mas lutar pela sua aceitação num mundo ainda tão cheio de preconceitos. Um livro sincero e revelador, que propõe uma mudança de conduta e nos convoca a ser mais vigilantes e atentos ao outro.

Outros Jeitos de Usar a Boca, de Rupi Kaur

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Um livro de poesia que escancara como poucas obras de arte o que é ser mulher hoje. Aborda a experiência de violência, o abuso, o amor, a perda e a feminilidade. O volume é dividido em quatro partes, com cada uma delas lidando com um tipo diferente de dor. Outros jeitos de usar a boca transporta o leitor por uma jornada pelos momentos mais amargos da vida e encontra uma maneira de tirar delicadeza de cada um deles. Publicado inicialmente de forma independente por Rupi Kaur, poeta, artista plástica e performer canadense nascida na Índia – e que também assina as ilustrações presentes neste volume –, o livro se tornou o maior fenômeno do gênero nos últimos anos nos Estados Unidos e também no Brasil. Leitura essencial para homens e mulheres.

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